Pela 1ª vez, Wimbledon iguala prêmios aos tenistas
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Folhapress 
São Paulo - Mais prestigioso e tradicional torneio de tênis do mundo, Wimbledon rompeu um de seus princípios e anunciou hoje que vai oferecer a partir deste ano a mesma premiação para homens e mulheres. Wimbledon foi o último Grand Slam, série que reúne os quatro mais importantes torneios, a destinar a mesma premiação para os vencedores das chaves masculina e feminina. ''Chegou a hora de dar a este assunto uma conclusão lógica e eliminar as diferenças'', declarou Tim Phillips, presidente do All England Club, local da disputa do torneio.
Os organizadores de Wimbledon afirmavam que sua resistência a igualar a premiação era uma questão de princípios. Phillips citava pesquisas que mostravam que o tênis masculino era mais valorizado do que o feminino. Outro argumento era o de que os homens disputavam partidas em melhor de cinco sets, enquanto as mulheres jogavam melhor de três.
Os dirigentes afirmavam ainda que as mulheres poderiam arrecadar mais dinheiro no total, já que elas geralmente atuam também em duplas, enquanto a elite masculina se concentra em simples. A disparidade que havia entre homens e mulheres foi diminuindo gradualmente até chegar ao anúncio desta semana.
Em 1968, quando o torneio foi aberto aos profissionais, o valor dado à campeã Billie Jean King era apenas 37,5% do prêmio que foi pago a Rod Laver. No ano passado, a francesa Amélie Mauresmo recebeu US$ 1,117 milhão (cerca de R$ 2,34 milhões), equivalente a 95,4% do cheque recebido pelo suíço Roger Federer. ''Eu sabia que era apenas uma questão de tempo'', afirmou Mauresmo. ''Era uma questão de princípios, de igualdade.''
A WTA, entidade que controla o circuito profissional feminino e que mais fez pressão pela paridade, concorda que a abrangência da decisão não se restringe apenas ao tênis. ''É um momento histórico e definitivo para a mulher no tênis e um significativo passo para a igualdade da mulher na sociedade'', afirmou o presidente da entidade, Larry Scott.
Com a decisão de Wimbledon de remunerar de maneira idêntica homens e mulheres desde o início, as atenções agora se voltam para a França. No ano passado, pela primeira vez, Roland Garros pagou os mesmos valores para os campeões Rafael Nadal e Justine Henin, mas nas outras fases os homens foram mais valorizados. O Aberto dos EUA adota a paridade em todas as fases desde 1973, e o da Austrália, desde 2001.


