Pedro Luiz, o narrador de 11 Mundiais, morre aos 79 anos
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Estelio Feldman 
A notícia da morte do narrador esportivo Pedro Luiz, ocorrida ontem, em São Paulo, provocou uma reação imediata: como o radialista estava hospitalizado (efisema pulmonar) há três meses, surgiu o desejo de que ele não tenha tido conhecimento do resultado do jogo entre Brasil e França, na véspera. Para quem, como ele, vivenciou com emoção alguns dos mais fantásticos momentos do futebol brasileiro, tendo, pelas ondas do rádio, transmitido a todo o País as emoções de Copas, como as de 50 e de 58, o narrador e torcedor, seguramente, se ficou sabendo da derrota nesta última Copa, deve ter ido mais triste.
Pedro Luiz Paolielo fez história e escola no rádio nacional, desde o fim dos anos 40 e por toda a década seguinte. Naquela época, só o rádio transmitia ao vivo as emoções do futebol e os grandes narradores eram tão famosos e queridos quanto os cantores ou os artistas de novela. Foi quando surgiram Geraldo José de Almeida (que acabou fazendo estilo até hoje insuperável para a TV, narrando, em 70, para todos os Canais, a Copa do México), Pedro Luiz, Edson Leite, Aurélio Campos, cada um com seu estilo. De todos, Pedro Luiz, o principal narrador da Rádio Panamericana, chamada à época a emissora dos esportes, era o melhor.
Foi a voz e o choro de Pedro Luiz que os paulistas, principalmente, ouviram naquele trágico 1950, quando ele narrou a derrota do Brasil para o Uruguai, no Maracanã. Tão marcada ficou a emoção que junto com a torcida pela vitória, em Estocolmo, oito anos depois, estava associada a vontade de ouvir Pedro Luiz, chorando de alegria. Ele já estava, então, na Bandeirantes - que iniciava seu esforço para ganhar o espaço no esporte - ao lado de Edson Leite. Estilos diferentes, Edson Leite floreava, inventava, mostrava ao público um jogo ideal, pouco importando se estava ligado à situação. Pedro, diferente, rápido, vibrante, não perdia um lance. Edson Leite narrou o primeiro tempo do jogo Brasil x Suécia; Pedro Luiz, o segundo. E a emoção do narrador se uniu à dos torcedores, numa simbiose fantástica.
A TV começava a cobrir o futebol, ao vivo. Foi então que Pedro Luiz passou pelo grande teste: os narradores da TV eram fracos, horríveis. Muitos espectadores usavam a imagem da TV e o som da Bandeirantes, para ouvir Pedro Luiz. Então era possível perceber que o que seus companheiros de trabalho (todos fãs incondicionais dele) diziam realmente era exato: Pedro narrava o jogo sem falhas, com vibração, revelando ao ouvinte exatamente o que se passava no campo.
Trabalhou ainda nas rádios Gazeta e na Tupi. Narrou 11 Copas do Mundo, entre 50 e 90 e outras milhares de partidas de futebol ao longo de sua carreira. Na época áurea do rádio, os narradores eram, quase sempre, corretores: vendiam anúncios para as transmissões, o que era normal e natural. Com Pedro Luiz, porém, isto não acontecia. Era profissional do rádio, devidamente contratado e, sem dúvida, o melhor. Ainda hoje há narradores que seguem seu estilo. Alguns são muito bons. Mas nenhum é melhor que o mestre que morreu ontem, aos 79 anos, em São Paulo.


