Pedalando mundo afora
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Existe um hábito, uma vontade que todo ser humano tem que é andar de bicicleta. ''Começa desde na infância'', diz o médico Flávio Zanoni, que se define como apaixonado pelo meio de locomoção dos mais antigos. Há menos de um mês, ele e seu filho, Luiz Fernando Zanoni, realizaram um dos maiores sonhos de todo o ciclista: percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, que começa na fronteira com a França adentrando por cidades do interior da Espanha.
O percurso reúne peregrinos que buscam o significado da viagem em placas espalhadas por todo o trecho. A maioria das pessoas vai caminhando a pé, mas muitos ciclistas incorporam o espírito do trajeto e Zanoni, que já havia feito o percurso em 2005, conta que a viagem pode demorar até 12 dias. A aventura começa em S. Jean Pied de Port, na França, e termina em Santiago de Compostela, perfazendo um trajeto de 890 quilômetros.
A paixão pela magrela une adeptos, que em Londrina formam grupos para pedalar, como os Pedais Vermelhos (com o qual Zanoni participa), e os Pioneiros do Pedal. As diferenças são apenas as distâncias percorridas, sendo que os primeiros passam dias percorrendo o Brasil sobre duas rodas, e os Pioneiros costumam se reunir para passear aos finais de semana.
Segundo José Luiz Pascual Filho, fundador dos Pedais Vermelhos, tudo começou no final da década de 90, quando um grupo de apaixonados pela bicicleta resolveu criar um passeio ciclístico, a Volta dos Pioneiros.
''Saímos naquela ocasião da Catedral e demos uma volta de 103 quilômetros aos arredores de Londrina, passando por patrimônios, percorrendo estradas vicinais'', relembra Pascual Filho. Ele conta que saíram 38 ciclistas, mas apenas nove conseguiram concluir o trajeto. A herança foi a criação dos Pedais Vermelhos, na terceira edição do evento em 2001.
Ciclovias
Surgida nos finais do século XIX, na França, a bicicleta é hoje um requisitado meio de transporte. Pascual Filho, que também já realizou um dos sonhos de muitos ciclistas - atravessar a ponte Golden Gate -, acredita que a criação de ciclovias ligando a região metropolitana e as principais avenidas ajudaria a ''reduzir o preconceito que existe sobre o uso da bicicleta''.
Conforme observa, o fluxo de usuários sobre o veículo de duas rodas nas rodovias que ligam Cambé, Ibiporã e Londrina, durante horários de trânsito intenso no início da manhã e nos finais de tarde, justifica a reivindicada adequação.
''Aqui é difícil porque inexistem ciclovias. Já pleiteamos algumas vezes (junto à Prefeitura) a criação. É mais barato que qualquer outro tipo de via, por isso talvez exista interesse de empresas de transporte, mas é fato que muitos utilizam a bicicleta como meio de locomoção. Mas usam de forma precária se arriscando no meio do trânsito. Por conta dos crescentes congestionamentos é uma rota alternativa necessária'', argumenta. (veja justificativas da prefeitura no box).
A exemplo de um amigo, também advogado, Pascual aposta que a adesão ao uso da bike tende a deixar as cidades menos congestionadas. Segundo ele, outro ciclista que reside na caótica cidade de São Paulo conta que, após deixar o carro na garagem e resolver ir pedalando até o trabalho, o tempo gasto no trajeto caiu de uma hora e meia para apenas trinta minutos.
Pascual também cita que Curitiba já possui ''há muito tempo uma ciclovia'' e aponta como exemplo para os governantes locais adotarem a proposta. ''Agora, nossa cidade precisa, sem sombras de dúvidas, de uma adaptação para que possamos receber as ciclovias e tratar o ciclista com mais respeito. Uma visão correta de fluxo urbano fará de fato a liberação do trânsito. Condições para que isto seja feito existem, como adequar canteiros centrais que são largos e que podem abrigar as ciclovias'', argumenta.


