Quando a seleção dos Estados Unidos entrar em campo hoje para enfrentar a Eslovênia, pela segunda rodada do grupo C, da Copa do Mundo, a corrente pelo time americano será fortalecida em Londrina e Cambé. Não é nenhuma colônia de americanos. É a família e amigos de um pé-vermelho que integra a comissão técnica da seleção dos Estados Unidos.
Mateus Gorni Manoel, 30 anos, é o responsável pela preparação física norte-americana. Ele nasceu em Cambé e morou em Londrina até os dez anos. Em 99, seu pai, Álvaro Manoel, foi para Washington para trabalhar no FMI e levou toda a família. O cambeense cursou Fisiologia e Educação Física na Universidade de Maryland. Após a graduação, ganhou uma bolsa de estudos para fazer mestrado na Universidade George Washington, onde fazia a preparação do time da faculdade.
''Como nunca tive a oportunidade de jogar futebol profissional, decidi seguir uma carreira que me interessasse e que ao mesmo tempo fosse relacionada ao esporte'', contou Mateus à FOLHA. Além do preparador físico, o time americano conta com outro brasileiro, o volante Benny Feilhaber, atleta do Aarhus, da Dinamarca, nascido no Rio de Janeiro e que disputa seu primeiro Mundial da carreira.
Antes de chegar à seleção, Mateus trabalhou no DC United, de Washington. Em 2008, foi contratado pelo Athletes Performance, um grande centro de alto rendimento e recuperação de atletas das mais variadas modalidades, em Los Angeles.
Por lá, conheceu o técnico da seleção inglesa nas Copas de 2002 e 2006, o sueco Sven-Goran Eriksson, que o levou para trabalhar na seleção mexicana nas Eliminatórias da Concacaf para a Copa da África do Sul. Com a queda de Eriksson no México, Mateus voltou para Los Angeles. Foi então que surgiu a oportunidade na seleção americana. Após a Copa, o cambeense vai trabalhar com o Kansas City Wizards, de Kansas, cidade onde mora com a família. ''Sempre foi um sonho ir para uma Copa do Mundo. É uma experiência única e inesquecível. Apesar de não estar com a seleção brasileira, estou feliz em poder ajudar os EUA'', disse.
Após segurar a favorita Inglaterra na estreia, Mateus garante que os americanos podem chegar longe. ''Temos um grupo de jogadores com experiência profissional na Europa, que jogam com muita organização tática e disciplina. É um time bem unido e, como demonstraram no ano passado, na Copa das Confederações, ao chegar a final contra o Brasil, podem competir contra qualquer outro time de calibre do mundo'', apostou.

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