Paz de espírito
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de setembro de 2018
Diego Prazeres 
Nelson Rodrigues dizia que sem alma não se chupa nem um Chicabon. Na minha concepção, uma das condições para que a alma esteja assim tão viva é ter paz de espírito. Sem paz de espírito não há sequer apetite, sono então... E é por isso que acredito que o Dagolberto (com L mesmo) deva estar numa fase muito tranquila, muito bacana em sua vida. Técnica, habilidade, ele sempre teve, tanto é que atuou em alguns dos principais clubes do país. Mas para explicar seu excelente desempenho já nos estertores da carreira, em uma Série B, uma boa dose de paz de espírito pode ser a resposta. Quando estamos bem conosco as coisas vêm. Dagol está voando num momento importante para ele, sem dúvida, mas muito mais para o Londrina. A goleada com sensação de alma lavada contra o time do Tencati pode ser o ponto de partida ou de sustentação para que a equipe encontre de vez o seu norte. Qual seja, fincar raízes naquela posição intermediária da tabela que afaste qualquer risco de rebaixamento. Nesta terça, a obrigação de vencer é toda do CSA, que afinal de contas é o vice colocado e tem como meta única subir. Então, mesmo sem o nosso homem gol, quem sabe os comandados do Roberto Fonseca, com a paz de espírito que uma boa vitória como a da última sexta proporciona, joguem leves e soltos. O resto é consequência.
E por falar em paz, não posso deixar de aproveitar o espaço para desejar uma rápida recuperação do Agostinho Garrote, que sofreu um AVC na semana passada. Conheci o Agostinho há 18 anos, quando eu estava iniciando a cobertura diária do Londrina e ele era o responsável por tocar o departamento amador do clube. Agostinho é antes de tudo um ás no trocadilho. Em 2005, quando ele já era o presidente do LEC, me ligou na redação do Jornal de Londrina à tarde para saber o palpite do jogo da noite contra o Paranoá, do Distrito Federal, que valeria uma vaga na terceira fase da Série C. "Acho que passa, né", falei. Ao que ele respondeu: "Chance de pará, não há. Tchau". Em outra ocasião, também como presidente, me disse que estava contratando um jogador que a torcida iria adorar. Eu pedia o nome, uma pista que fosse, ele despistava: "Nem vou falar". O jogador era o Nem, eterno ídolo da torcida. No tempo em que cobri o noticiário do Londrina, ele foi o único dirigente (e incluo outros presidentes, diretores, supervisores etc) que nas vezes em que me ligou nunca foi para reclamar de matéria. Até hoje, vez ou outra, ainda liga, só pra perguntar se está tudo bem. Espero em Deus que Agostinho saia dessa logo. Desejo-lhe e à família o que ele sempre diz ao final de uma conversa: "muita paz".
Bravo, Operário
Dois ponta-grossenses, um "tremendão" bacana que conheço de longa data e mora aqui em Londrina, e outro, creio, leitor da FOLHA em Ponta Grossa, protestaram contra minha última coluna. É que eu tinha escrito que seria uma pena o Santa Cruz, de torcida imensa, ficar mais um ano fora da Série B. O time pernambucano disputou uma das vagas do acesso contra o Operário, que subiu. Entenderam os dois que desmereci o centenário alvinegro ferroviário. Não foi a intenção. Só continuarei lamentando sempre que equipes de expressão, especialmente do Nordeste, fiquem de fora da Série B. Bem diferente de não querer ver o Operário, um paranaense afinal de contas, ascendendo. Sem fantasmas, gente. Bem-vindos! Boa semana.


