Paysandu espera Boca no jogo do século
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quarta-feira, 14 de maio de 2003
Agência Estado 
Belém - Os argentinos do Boca Juniors mal podem imaginar o que os aguarda na partida de hoje, às 21h40, contra o Paysandu, no Mangueirão, valendo a vaga para as quartas de final da Copa Libertadores da América. Além de 55 mil fanáticos e barulhentos torcedores do Papão da Curuzu, os jogadores do Boca enfrentarão um exército de 40 mil cornetas distribuídas nas arquibancadas por um supermercado da capital paraense.
Pelas ruas de Belém, enfeitadas de bandeiras do clube e torcedores vestidos com a camisa azul e branco do time paraense, a partida é definida como o ''jogo do século''. O entusiasmo é tanto que todos os ingressos colocados à venda estavam esgotados na manhã de ontem. Os poucos que ainda existiam estavam nas mãos de cambistas. Uma ingresso de arquibancada que valia R$ 15 estava sendo vendido a R$ 25.
A torcida ''Terror Bicolor'', a maior organizada do Paysandu, com cerca de quatro mil sócios, prometia soltar fogos durante toda a madrugada nas imediações do Hilton Hotel, no centro de Belém, onde está hospedada a delegação argentina. ''Eles vão mudar de opinião em chamar o La Bombonera de inferno dos adversários. O verdadeiro inferno vai ser em Belém, dentro do Mangueirão'', garantia o diretor da Terror, Erick Camargo.
Alheio à euforia dos paraenses, o técnico Dario Pereyra está fazendo mistério sobre o time que entrará jogando. Sem o artilheiro Robson, expulso contra o Boca em Buenos Aires, Dario poderá escolher o substituto entre Vandick, Zé Augusto e Balão. A pressão da torcida é por Vandick. ''Pode ser o jogo dele, mas ainda não decidi'', desconversa o treinador. Outra dúvida está na zaga. Gino pode perder o lugar para Tinho. A altura pode influenciar na preferência do treinador. Mais alto oito centímetros que Gino, Tinho seria a opção para barrar o jogo aéreo do Boca.
Entre os argentinos, o técnico Carlos Bianchi também esconde a escalação. ''Só na hora de entrar em campo'', resume. O sistema de jogo, para ele, não importa. ''Temos de ganhar e faremos tudo para que isso aconteça''. O atacante Schelotto disse que o Boca não jogará apoiado na tradição e na fama de time brigador. ''É preciso mostrar algo mais para vencer o Paysandu''.
Bianchi gostou do gramado do Mangueirão e previu uma ''bela partida''. Sobre o Paysandu, definiu como o time ''mais italiano'' entre os brasileiros que disputam a Libertadores. A comparação, explica o treinador, está na força do conjunto e na aplicação tática do Papão da Curuzu.


