A pausa no Novo Basquete Brasil (NBB) por conta das festas de final de ano não puderam vir em melhor hora para a direção da ADL/Sercomtel/Londrina. Com os cofres vazios, o time espera usar o período de inatividade para acalmar os ânimos dos jogadores que estão com os salários atrasados e para passar o chapéu em busca de dinheiro para a sequência do torneio.
Na derrota para o Universo/Brasília, na segunda-feira à noite, por 98 a 83, no Moringão, os jogadores e, principalmente, o técnico Ênio Vecchi estavam visivelmente irritados com os atrasos nos vencimentos. Eles tinham a promessa de receber integralmente um mês de salário na tarde de segunda, porém, ao chegarem ao banco, viram que o valor do depósito era bem menor.
De acordo com um atleta que pediu para não se identificar, somente os jogadores que ganham menos do que R$ 1 mil receberem integralmente o pagamento de outubro. Quem tem o salário mais alto, como Fernando Mineiro, Adriano, Rodrigo Santana, Guilherme Filipin e o técnico Ênio Vecchi, encontrou menos do que a metade do valor prometido na conta. ''Foi pago no máximo R$ 1,4 mil de outubro, sendo que tínhamos a promessa de ter o pagamento integral de um mês. O pessoal está meio irritado com a situação, afinal, todos têm família, têm filhos'', afirmou, em tom indignado.
O experiente ala Rodrigo Santana, o Ratinho, deu mais um voto de confiança à diretoria. ''O pessoal está se esforçando para tirar as duas parcelas que faltam da Fundação (de Esportes de Londrina) para pagar a gente até o dia 22. Eles estão atrás de dinheiro de outros patrocínios também'', afirmou.
Bastante irritado na segunda-feira - nem entrevista deu após o jogo com Brasília - Vecchi foi ponderado ontem ao comentar os atrasos, mas não deixou de cobrar. ''Todos tinham a expectativa de que nessa volta tería os problemas normais que fazem parte dos processos de reestruturação. Mas eu estou preocupado com os jogadores, que têm família, tem seus compromissos. O pessoal está sendo paciente, está aguardando e espero que seja solucionado logo'', apontou o treinador.
Para Vecchi, os jogadores ainda não estão levando para dentro de quadra os problemas administrativos do clube e procura não relacionar as derrotas aos atrasos. ''Dentro de quadra o time está correspondendo, fazendo a parte dele. Mas se assumiu um compromisso de ambos os lados e todos têm que cumprir'', cobrou.
Em 2005, quando dirigia o Londrina/TIM, Vecchi passou por situação semelhante. Na época, o time teve que usar mais da metade do patrocínio da TIM para pagar a compra da vaga no Nacional. O dinheiro havia sido prometido por políticos locais, mas a promessa não foi cumprida, como de praxe. O pivô Jhonny passou por maus bocados e quase foi preso por atraso nos pagamentos de pensão alimentícia. Chegou a ser notificado por um oficial de justiça.
A diretoria da ADL não se pronunciou ontem. O único que podia falar sobre o assunto era o presidente Paulo Chanan. No entanto, ele não estava na faculdade onde trabalha e seu celular ficou desligado durante a tarde. Nem mesmo a assessoria de imprensa do clube conseguiu localizar o dirigente.
Duas parcelas do repasse da FEL podem ser retiradas até segunda-feira, totalizando cerca de R$ 26 mil. O problema é que o clube precisa apresentar uma contrapartida, que não tem.

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