Paulo Roberto Pegoraro - De Cascavel
Cascavel ainda em coma
Nada mais chato que iniciar participação nesta coluna aberta pela Folha tratando do Cascavel Esporte Clube e sua agonia. Mas é inevitável, e, aliás, em qualquer tempo o assunto teria que ser este, porque o Cascavel vive há muito em estado de coma profundo, e só falta tirar o tubo. Que coisa estranha este time... Não dá para dizer clube, porque na prática ele inexiste.
É bom lembrar que o time que detém um título estadual (1980) e já revelou inúmeros jogadores, hoje em grandes clubes do País não tem presidente, não tem diretoria e não tem torcida. O que mais não lhe falta? Só tem um belo estádio, para 45 mil pessoas, e que tem recebido público possível de contar num rápido passar de olhos pelas arquibancadas.
Estão lá, nas arquibancadas, o pipoqueiro chateado por não ter para quem vender. Familiares de jogadores e outros que simplesmente não acharam nada de bom para fazer no dia... Não faltaram sugestões, obviamente irônicas, como plantar soja no lugar do gramado e usar o concreto para entupir voçorocas em bairros.
No estádio há apenas três ou quatro placas de publicidade, quase todas da TV Tarobá. Não se sabe de outras empresas que apóiem. A prefeitura acha que já faz demais bancando a manutenção. Questionamentos que têm surgido na praça: a quem interessa o Cascavel, ou ainda, quem se interessa por ele?
Kaefer, o SOS
O time tem um gerente (remunerado), Emílio Martini, que pode ser o último dos moicanos. Quando jogadores se rebelam e ameaçam não entrar em campo, porque não recebem salários, Emílio corre para o ex-presidente Alfredo Kaefer e pede um socorro. Kaefer largou o comando no início do ano, exatamente por estar cansado de enfiar a mão no bolso.
Último jogo
No final da semana, o Cascavel pega o Rio Branco, no Olímpico. Para não ir para a Segundona em 98, tem que ganhar justamente de uma das melhores equipes do Torneio da Morte, com seus 20 pontos e perseguindo avidamente a classificação. O Cascavel, com seus nove pontinhos, encerrará sua participação no torneio, pois não joga na última rodada.
Para a cova
Na hipótese (remota) de conseguir vaga para a Intermediária de 98, ainda assim dificilmente alguém vai querer assumir o pepino de tocar o time. Por isso, este domingo pode ser mesmo o dia da saída do Cascavel do estado de coma, e sua ida para a cova rasa. Aí, só restará saber se aparecerá alguém para jogar as pás de terra.





