Paulo Pegoraro
A morte da princesa Diana (culpa dos paparazzi ou do motorista bêbado?) nos remete à questão dos ídolos e símbolos criados por monstros como a mídia, que acabam por eles devorados, depois de submetidos à atenção da massa. Vale para o próprio esporte. A massa vive de símbolos - que lhes são impostos -, depois substituídos por outros. Trata-de mesmo de imposição, e não de escolha do povo.
A princesa foi incessantemente jogada pela monstro que atende pelo nome de mídia em nossas casas - por isso, os paparazzi a perseguiam. O cara morto de fome lá do barraco passou a gostar da loirinha, que embora visitasse orfanatos sempre foi chegada ao luxo, proporcionado pela realeza e pelo último namorado milionário. No esporte, à massa também são impostos ídolos - de barro -, depois devorados pelo monstro que os cria.
Na relação de ídolos atuais de nosso futebol, não se alinha muito mais nomes ao lado de um Ronaldinho, conveniente para a mídia por não estar em time brasileiro - o que não divide a torcida. Mas, logo, será substituído, não tenhamos dúvida. Assim como logo o monstro criará substituta para a princesa. Afinal, há monstros muito mais fortes que os paparazzi interessados em explorar e devorar imagens de barro.





