Fim da longa agonia
Muita coisa está errada, e há muito tempo, no futebol do interior. Desconheço clube que não enfrente crise permanente, que não conviva com a falta de dinheiro, e que tenha planejamento de atividades de acordo com o que o caixa lhe permita. O buraco da bala sem dúvida está na falta de planejamento: é viável, dá para encarar, vamos disputar, vamos contratar bastante, vamos com a garotada, ou paramos?
O Cascavel Esporte Clube, por exemplo, nunca fez as contas, e agora sobrou-lhe a última alternativa. Está prontinho para encerrar suas atividades futebolísticas profissionais, por absoluta falta de apoio ou interessados em assumir a direção, e por falta de quem vá ao estádio. O caso é exemplar, para a bagunça em que se encontra boa parte dos clubes interioranos.
O Cascavel já teve sua glória, porém fugaz, em 80, quando conquistou o título estadual. No ano seguinte, ainda o embalo do título, mas logo depois começou a agonia, aliás, longa demais, pois era para ter ‘‘estourado’’ antes o que ‘‘estoura’’ agora. A equipe do ‘‘torneio da morte’’ foi desativada, mas ainda falta o pagamento de débitos com os jogadores (e fornecedores), que receberam parte em cartelas de um bingo que eles próprios tiveram que vender.
As dívidas globais ainda estão sendo calculadas, mas não há definição sobre quando serão quitadas. O Cascavel disputou praticamente todo o campeonato, desde a fase inicial, sem presidente ou diretoria. O empresário Alfredo Kaeffer, que durante muito tempo botou a mão no bolso para sustentar o clube, renunciou, e o Conselho Deliberativo (uma figuração, apenas) deveria indicar substituto, mas ninguém se apresentou.
No clube, com poder de mando, restou Emilio Martini, remunerado para ser gerente-geral. Um grupo de empresários chegou a estudar a possibilidade de assumir o futebol, mas desistiu, e a prefeitura também recusou ajudar. No Estádio Olímpico, havia durante o campeonato apenas cinco placas de publicidade, a maioria da TV Tarobá (Bandeirantes). Nos jogos, as rendas foram irrisórias.
Obrigado a disputar a intermediária em 98, o Cascavel definitivamente é inviável em termos de futebol, mantida a atual situação, de absoluta falta de apoio, e isso o própio Martini reconhece. Assim, para a desativação, só falta o anúncio. O Cascavel pode continuar apenas com sua equipe de juniores, que não requer grandes gastos e é mantida por membros da comissão técnica.

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