Paulo Nunes promete gol de protesto contra violência
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 01 (AE) - Um dia após ter sido vítima de um sequestro relâmpago, o atacante Paulo Nunes, do Palmeiras, disse
hoje, que ainda estava traumatizado com o episódio. "A vida da gente pode acabar em um segundo, de uma forma estúpida", afirmou o jogador, após o treino do Alviverde, na Academia da Barra Funda. Apesar do susto, de praticamente não ter dormido direito, o jogador garantiu que estará em campo contra o River Plate, da Argentina, pela Copa Mercosul, amanhã à noite no Palestra Itália. Se fizer um gol, o atacante afirmou que haverá uma comemoração especial como protesto à violência. "Nunca pensei tanto em fazer um gol como agora, que me considero salvo."
Paulo Nunes antecipou que vai tomar várias providências daqui para frente para garantir sua segurança e da sua família. A principal delas será mudar de apartamento. "Meu endereço agora consta de um boletim de ocorrência e já foi divulgado pela imprensa", disse. "Vou trocar de carro, e não vou dar o número do meu telefone para ninguém, além de não me separar mais de seguranças."
O jogador recuperou o jipe Grand Cherokee, que havia sido roubado pelos dois bandidos. Um mecânico encontrou o carro abandonado perto da sua oficina em Vila Nova Cachoerinha, zona norte da cidade. O mecânico avisou a polícia, que entrou em contato com a família do jogador. O segurança do atleta foi quem pegou o carro na polícia.
Antes de seguir com a delegação do Palmeiras para a concentração, em um flat, em Santana, Paulo Nunes reafirmou que durante o sequestro, com os dois bandidos apontando a arma na sua cabeça, pensou que realmente seria assassinado. Posteriormente, ao ser abandonado na avenida marginal do rio Pinheiros, perto do Cadeião, pensou até em deixar São Paulo. "Durante os quatro quilômetros que eu andei, na escuridão, não parava de tremer, e minha vontade era pegar minha família e ir embora da cidade, mas tenho meus compromissos profissionais com o Palmeiras."
Antes do treino, o jogador teve de repetir a história várias vezes para os companheiros da equipe. Paulo Nunes disse que os dois bandidos realmente se identificaram como palmeirenses. "Eles até me disseram que estariam amanhã no Parque Antártica."


