Curitiba - O jogador brasileiro quando desembarca na Europa leva um choque cultural. Tudo é diferente. A começar pelo relacionamento jogador-clube, paternalista no Brasil, e com o convívio entre o atleta e os torcedores. Alguns se adaptam a essa realidade, outros, fogem.
Não é esse o caso do meia Paulo Miranda, jogador formado nas categorias de base do Paraná Clube e com passagens pelo Atlético Paranaense e Vasco da Gama. Há cinco meses na França, defendendo o Girondins Bordeaux, esse paranaense, criado no bairro do Boqueirão, em Curitiba, só pretende retornar ao futebol brasileiro em cinco anos ou quando pendurar as chuteiras.
Apesar de não ter atuado em todas as partidas do Campeonato Francês (foi sete vezes titular e em cinco entrou no decorrer da partida), Miranda vem se destacando. Marcou um gol na competição e quatro desde que vestiu a camisa do Bordeaux. A principal função do meia é armar jogadas para o português Paleta, artilheiro da equipe com 11 gols.
Mesmo com pouco tempo de Europa, Miranda fala sobre as diferenças táticas do futebol brasileiro e do francês. ‘‘No Brasil o jogo é cadenciado. Na França, mais movimentado. Você tem que estar no campo todo, defendendo e atacando’’. No bate-papo acaba mandando um recado aos atletas que estão começando. ‘‘O brasileiro precisa aprender a defender e atacar’’.
O esquema tático robotizado obriga ao jogador seguir certas regras. ‘‘Quando você chega a linha de fundo, eles esperam que a jogada termine em um cruzamento. Se o time está no ataque e não tem opção de jogadas a torcida não pega no pé se a bola for atrasada até os zagueiros. Se isso ocorresse em um jogo no Brasil, a torcida não perdoaria’’.
O time mais europeu do Brasil, na opinião dele, é o Atlético Paranaense. ‘‘O Furacão defende e ataca em bloco. Os atacantes voltam para marcar e até mesmo armam jogadas. No meio-de-campo, o Cocito cumpre a risca seu papel: defende e aparece no ataque’’.
Miranda não floreia quando questionado sobre a relação empresário-jogador. ‘‘Hoje um jogador quando sai da categoria de base tem que ter alguém orientando a sua carreira. Se encontrar a pessoa certa ele evita que você tenha decepções profissionais’’.

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