Campeão da Segunda Divisão Paranaense em 1999 com o Londrina, Paulo Comelli vive a sua primeira temporada comandando um time do exterior. E essa estreia não é nada fácil, já que o treinador está no comando do Emirates Club, dos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde costumes, cultura e idioma são bem diferentes dos brasileiros.
A adaptação, no entanto, não vem sendo tão complicada, uma vez que o lado emergente e rico do Oriente Médio é um lugar de muitos estrangeiros, incluindo brasileiros, que preenchem os postos de trabalho. "Estamos acostumando com uma realidade um pouco diferente do futebol brasileiro, estamos em fase de adaptação, mas estou gostando. A estrutura do clube é muito boa, eles têm um bom espaço, um centro de treinamento anexo ao estádio onde jogamos. Há pessoas de todas as partes do mundo trabalhando no clube e isso agrega um conhecimento de forma geral ao trabalho", apontou o treinador, que é radicado em Cambará.
Paulo Comelli foi o responsável pelo acesso do Criciúma à Série A do Campeonato Brasileiro ao garantir o vice-campeonato da Série B em 2012. Depois, treinou o América-MG. Na bagagem, levou sua comissão técnica de confiança, incluindo o seu auxiliar e filho, Bruno Comelli, com quem já vem trabalhando nos últimos anos. "O Bruno vem trabalhando comigo há três anos. Neste período, conquistamos um acesso à série A do Campeonato Brasileiro, um acesso à Série B e o título do primeiro turno do Campeonato Alagoano. Ele é um grande profissional e agregou muita qualidade ao trabalho que eu já desenvolvia há anos. O treinador precisa ter confiança no seu assistente técnico e isso é o que mais temos", afirmou Comelli, ressaltando que a relação pai/filho fica para fora do vestiário. "Durante os treinos e jogos há uma relação extremamente profissional, a relação pai e filho fica para os momentos de folga".
Comelli chegou aos EAU no inverno e não enfrentou ainda o forte calor do local, onde os treinos geralmente ocorrem à noite, para diminuir o desgaste gerado pela temperatura alta. "Agora estamos no inverno aqui, o clima é agradável e podemos treinar no período da tarde, mas em dois meses, quando acabar o inverno, os treinos têm que ser à noite devido ao forte calor", contou.

Cultura
O calor não será problema para o treinador. A dificuldade maior é que os hábitos culturais do povo de lá. "É tudo muito diferente do Brasil. Tive que me acostumar a novos hábitos e entender como é o pensamento do pessoal por aqui. Nos primeiros dias foi mais difícil, mas agora já estou me acostumando. É sempre importante conhecer novas culturas e novos costumes", apontou Comelli.
O contrato dele vai até maio, mas o treinador planeja ficar um período maior por lá. "Pretendo fazer um bom trabalho aqui para abrir o mercado e divulgar nosso trabalho nesta região. Já surgiram algumas sondagens de outros clubes, mas por enquanto nada definido. É um local bom para se trabalhar, ficaria sem problema nenhum", comentou.
No elenco do Emirates Club há cinco brasileiros, entre eles, o meia Derley, ex-Inter, Náutico e Atlético-PR. Mas o jogador mais famoso do time é o argentino Herrera, ex-Grêmio, Corinthians e Botafogo. O time ocupa a 11ª posição no campeonato local.

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