Paulistas mantém hegeomonia no Brasileiro nos anos 90
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro e Wilson Baldini Jr. 
São Paulo, 26 (AE) - A presença de Corinthians ou São Paulo na final do Brasileiro deste ano confirma a hegemonia paulista nos anos 90 na competição. Nos últimos dez anos, as equipes de São Paulo marcaram presença na decisão, com exceção de 1992, quando Flamengo e Botafogo fizeram a final. Neste período, os paulistas conquistaram 5 títulos nacionais, tiveram 11 representantes nas finais e 17 nas semifinais.
Os números são expressivos, sobretudo se for levado em conta o fraco desempenho dos times do Estado na década de 80, quando o domínio foi todo dos cariocas. Entre os paulistas, só o São Paulo se destacou, conseguindo o título solitário, em 86, superando o Guarani, e dois vice-campeonatos, em 81 e 89. Os maiores rivais do Tricolor, Corinthians e Palmeiras, chegaram a disputar até a Taça de Prata, espécie de Segunda Divisão, em 1982.
Nos 90, os paulistas reagiram e passaram a ter, antes dos títulos, o domínio no número de participantes em Brasileiros. Com pequenas oscilações, em virtude da ascensão e queda de times como São José, Internacional-SP, União São João de Araras, Botafogo-SP etc., o Estado manteve a maior média de representantes, cerca de 40% do total em todos esses anos. Em 99
São Paulo entrou com 8 dos 22 clubes, e 4 passaram para os playoffs.
Na década paulista, até times que nem fazem mais parte do grupo de elite do futebol brasileiro, como o Bragantino, marcaram época. O time de Bragança Paulista disputou a decisão de 91 e chegou entre os quatro melhores no ano seguinte.
O sucesso dos clubes paulistas no Brasileiro teve início com o título inédito do Corinthians (90), seguiu com o grande time do São Paulo, dirigido por Telê Santana (91) e culminou com a ascensão do até então desacreditado Palmeiras, renovado pelo patrocínio da Parmalat.
O bicampeonato do Alviverde (1993 e 1994) motivou os demais clubes do Estado a investir em jogadores e estrutura. O resultado foi a valorização e o fortalecimento do Campeonato Regional, que proporcionou reflexos imediatos no Brasileiro. Neste ano, além de ter um representante garantido nas finais, São Paulo vai abrigar obrigatoriamente a decisão do campeonato, já que Corinthians e São Paulo têm vantagens em relação a Vitória e Atlético-MG.
A eliminação precoce do Vasco expõe a pífia performance dos times do Rio de Janeiro nos Campeonatos Brasileiros dos anos 90, contrastando com a hegemonia paulista. O Maracanã, principal palco do futebol brasileiro, só abrigou duas finais de Brasileiros nesta década.
Apenas a disputa de 1992 colocou frente a frente dois times cariocas: Flamengo e Botafogo realizaram dois jogos e o título ficou com o Rubro-negro, após uma vitória (3 a 0) e um empate (2 a 2). O Estado ainda classificou o Vasco na terceira posição, no melhor desempenho do Rio na competição nesta década.
Botafogo (1995) e Vasco (1997) chegaram a sagrar-se campeões, mas o desempenho carioca ficou nisso. Bastante diferente do currículo dos anos 80, quando obtiveram cinco títulos. Três com o Flamengo (1980, 1982 e 1987), um com o Fluminense (1984) e um com o Vasco (1989).
Apenas sete vezes os cariocas alcançaram as semifinais do Nacional nos anos 90, contra 17 dos paulistas. Entre os times que chegaram à decisão, a diferença é ainda maior: 11 a 4. Um exemplo do declínio do futebol carioca são os atuais estágios de Botafogo e Fluminense. O Alvi-negro precisou dos tribunais e de muita artimanha para permanecer na divisão principal do futebol brasileiro este ano. Com o Fluminense foi pior. Atualmente, disputa a Série C e luta com muitas dificuldades e sem dinheiro para voltar.
Os clubes pequenos também deixaram de dar sua contribuição na Série A, ao contrário do que aconteceu na década de 80. O Bangu chegou à final de 1985, diante do Coritiba, e ficou com o vice-campeonato. O América, que não disputou nem o Carioca deste ano, chegou nas semifinais, em 1986, caindo diante do São Paulo. Os clubes cariocas não têm bom desempenho nas Séries B e C, diferente do que tem acontecido normalmente com o futebol paulista.


