Paulistas enfrentam obstáculos na reta final
São Paulo, 19 (AE) - Atletas machucados, sem contrato ou convocados para a seleção brasileira. Reforços insuficientes ou pouco conhecidos, desgaste de relacionamento ou temporadas de preparação abreviadas. A menos de uma semana do início do Campeonato Brasileiro, os principais clubes paulistas ainda enfrentam obstáculos. Alguns, por exemplo, terão de fazer a estréia na competição sem suas grandes estrelas.
"Tenho consciência de que meu time pode começar o Brasileiro sem seis ou sete jogadores que vinham atuando regularmente", lamenta o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari. A equipe, sensação do primeiro semestre e campeã sul-americana, chegou, hoje, a São Paulo, depois de 12 dias na Itália. Sábado, abre o Brasileiro contra o Juventude, que conquistou a Copa do Brasil. "Esses problemas fazem parte do jogo", tenta conformar-se o treinador.
Scolari não vê a hora de ter Paulo Nunes de volta. O atleta não viajou para a Europa e ficou treinando sozinho em São Paulo. Ele cobra, da Parmalat, uma dívida de US$ 1 milhão dos tempos de Benfica. Galeano ainda não renovou o contrato, o goleiro Marcos e o meia Alex vão disputar a Copa das Confederações, no México. César Sampaio, Júnior Baiano e Agnaldo estão machucados e os reforços Asprilla e Zé Maria ainda não têm condições de jogo por causa de documentação.
O Corinthians, que teve o privilégio de contar com reforços milionários e acerta, agora, a contratação do lateral-direito César Prates, do Real Madrid, vai ficar, no início da competição
sem o goleiro Dida, o zagueiro João Carlos e o volante Vampeta, todos na seleção. Mas o que mais incomodou o técnico Oswaldo de Oliveira - apesar de certa satisfação por outro lado - foi ter de cancelar a última semana de preparação em águas de Lindóia.
Oswaldo vai comandar a seleção paulista que enfrenta a mineira
quarta-feira, em Belo Horizonte. A base da seleção será formada por atletas corintianos. "Tivemos de mudar todo o planejamento de trabalho na reta final", admite o treinador. Desde hoje, os corintianos estão treinando na capital.
Sem estrelas - O São Paulo, que disputa um torneio no México - o Pachuca é o adversário de amanhã, às 23 horas de Brasília -, não contratou reforços de empolgar a torcida. Os meias Ricardinho, que veio do Japão, e Cassiano, do Ypiranga de Erexim
por exemplo, são meros desconhecidos.
O técnico Paulo César Carpegiani, assim como no primeiro semestre, quando não ganhou nada, aposta em inovações táticas para suprir a ausência de jogadores de peso. "O elenco conta com atletas versáteis, como Marcelinho e Edmílson, que podem ser aproveitados em várias posições", ameniza. Raí, o craque do time, ainda não está 100% fisicamente. O São Paulo volta ao Brasil na sexta-feira, dois dias antes da estréia contra o Atlético-MG, no Morumbi.
Outro clube que vive o dilema de contar, basicamente, com desconhecidos é o Santos. A defesa e o meio-de-campo, pontos de maior fragilidade da equipe, só foram reforçados por Marcelo Heleno, ex-Francana, e Élson, ex-União Barbarense. Nomes indicados pelo técnico Émerson Leão, como o do zagueiro Aldair, não foram contratados pela diretoria.
"Espero que as contratações venham logo, pois não temos muito tempo", reclama o treinador, que vive um certo problema de relacionamento com dirigentes desde o fim do Paulista. A diretoria quis despedi-lo, mas reviu a decisão por causa de uma milionária multa rescisória. Choques menores ocorreram. A compra do passe do goleiro Nei não teve uma consulta a Leão, um dos maiores atletas do Brasil na posição.
Na Portuguesa, o técnico Zagallo anda um pouco desanimado quanto às chances de sucesso da equipe no Brasileiro. "Perdi seis jogadores importantes", lamenta. Os reforços, como o lateral Jadílson, não estão à altura dos que saíram. "O Palmeiras trouxe o Asprilla e já me falaram para contratar o Aspirina", brincou, há poucos dias, em Serra Negra, sem perder o bom humor. "É que vou ter muita dor de cabeça."





