São Paulo, 04 (AE) - O presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, comprou a briga do São Paulo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mas não quer ficar sozinho no meio da confusão. Para isso, ele vai reunir-se amanhã
na sede da federação, com os oito presidentes de clubes paulistas que estão disputando o Campeonato Brasileiro.
Um dos assuntos discutidos na reunião deve ser a proposta de retirada dos clubes paulistas da competição. "Temos de defender os interesses paulistas no campeonato", afirmou Farah. "O São Paulo não pode ser punido sozinho."
Outro ponto a ser debatido na reunião é uma possível denúncia da CBF à Fifa por causa de atletas convocados em situação irregular para a seleção brasileira sub-17. "Vou denunciar todos os casos de falsidade ideológica na seleção", avisou Farah. Segundo o dirigente, três desses casos já estão comprovados.
O presidente da FPF quer avaliar com calma as consequências de uma eventual paralisação do campeonato. "A CBF não seria prejudicada com a paralisação do Campeonato Brasileiro e sim os clubes já classificados", ponderou Farah. "Há também contratos com a televisão, que não tem culpa nenhuma."
O dirigente diz que pretende usar todos os recursos legais para defender o futebol paulista. "Vamos buscar o caminho da legalidade, com base em leis federais", explicou. Contudo, ele descarta, pelo menos por enquanto, entrar na Justiça comum. "Só em último caso."
Farah pretende convencer os dirigentes paulistas de que, unidos, têm força suficiente para pressionar a CBF. "Temos 40% dos clubes que disputam a Série A", ameaça o presidente da FPF, que continua levantando suspeitas sobre a imparcialidade do julgamento do caso Hiroshi. "Quero saber quais são os interesses envolvidos nesse caso", exigiu Farah. "Fiquei sabendo à tarde que o julgamento seria 7 a 0."
A administração da CBF foi o principal alvo da indignação de Farah. Ele acusou a entidade de omissão. "Estou envergonhado, não quero ter ligação com esse tipo de administração", reclamou o dirigente. "O Ricardo Teixeira é omisso até nas coisas ruins."
O Ministério Público também está acompanhando o caso de perto. Contudo, o órgão não pode intervir a favor do São Paulo. Segundo o promotor Fernando Capez, o Ministério Público não pode defender interesses específicos de clubes. "Mas vamos fiscalizar o andamento do caso para verificar se o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) está obedecendo à Lei Pelé", avisa Capez.
Deboche - Enquanto os presidentes de clubes paulistas decidem seu futuro no Brasileiro, outros dirigentes estão céticos quanto à possível paralisação da competição. Na opinião do vice-presidente do já classificado Vasco da Gama, Eurico Miranda
seria preciso muita coragem para tomar essa decisão. "Farah não tem aquilo roxo para tirar os times paulistas do campeonato", debochou o dirigente carioca.

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