Paulistas apóiam São Paulo e vão à Justiça Comum
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 05 (AE) - Em reunião considerada histórica pelo presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, os clubes paulistas, que disputam o Brasileiro decidiram hoje, por unanimidade, apoiar a decisão do São Paulo de entrar na Justiça comum para tentar recuperar os três pontos que lhe foram tirados pelo Tribunal de Justiça Desportiva, no Rio. O TJD entendeu que o time paulista escalou o atacante Sandro Hiroshi em condição irregular na goleada sobre o Botafogo-RJ (6 a 1). O Tribunal repassou os pontos ao clube carioca.
O plano do São Paulo, que entre segunda e quarta-feira tentará obter uma medida cautelar na Justiça, tem o apoio da FPF e do Sindicato dos Clubes do Futebol Paulista. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, afirmou que se o TJD entender que o São Paulo tinha condição legal para recorrer à Justiça comum pode entregar o caso à Fifa. O Tricolor corre o risco de ser desfiliado.
O presidente do São Paulo, José Augusto Bastos Neto, disse ter ficado comovido com a solidaridade dos demais clubes paulistas; por isso chorou, quando o presidente do Santos, Samir Abdul-Hak, o último dirigente a votar, também confirmou o apoio do clube ao São Paulo.
"Agradeço a todos, o meu clube e o futebol paulista não podem ser prejudicados", disse. "Querem tirar os pontos de uma vítória incontestável." A reunião foi realizada na sala do Tribunal de Justiça, no quinto andar do prédio da FPF. Além de Farah e Bastos Neto, participaram Alberto Dualib (Corinthians), Mustafá Contursi (Palmeiras), Amilcar Casado (Portuguesa), Sérgio Carnielli (Ponte), Ricardo Cristiano Ribeiro (Botafogo), José Luís Lorencetti (Guarani) e Samir Abadul-Hak (Santos), mais Marco Polo Del Nero, que, além de presidente do TJD, é presidente do Sindicato dos Clubes do Futebol Paulista.
Bastos Neto começou a reunião ao anunciar que o São Paulo, após esgotar os recursos na Justiça Desportiva, iria entrar com ação na Justiça comum e pedia o apoio dos demais clubes. Bastos Neto enfatizou que o clube não pretendia, com isso, interromper o Brasileiro.
Imediatamente, Farah comandou a votação aberta dos dirigentes. O presidente da entidade disse que os dirigentes estavam resgatando a dignidade do futebol paulista. "Hoje está acontecendo com o São Paulo; amanhã poderá ser outro clube", alertou Farah. "Todos os clubes aqui presentes assumirão a responsabilidade pela ação do São Paulo." Farah garantiu que o São Paulo não poderá ser punido pela CBF porque está usando direito garantido pela Constituição.
O dirigente da FFP disse ainda que não vai comunicar o resultado da reunião à CBF. "Ela vai saber por meio da mídia", disse Farah. "Nem informado fui pela CBF de que havia jogador de São Paulo com a documentação bloqueada." Ricardo Teixeira rebate Farah e afirma que a CBF avisou a FPF da irregularidade no registro do atleta. "O comunicado foi encaminhado à FPF dia 8 de julho e não houve providência."


