Paulistão na área

Para superar o recorde do Santos de Pelé e chegar à nona decisão consecutiva de Campeonato Paulista neste ano, o atual time santista, do técnico Dorival Junior, aposta, principalmente, na base do ano passado. Com contratações pontuais, a equipe alvinegra manteve a espinha dorsal campeã em 2016 e confia no entrosamento de um time que mescla garotos com atletas experientes para manter sua hegemonia no Estadual.
Campeões no ano passado, nomes como Vanderlei, Zeca, Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno, Lucas Lima e Ricardo Oliveira foram mantidos no elenco para esta temporada. A diretoria resistiu às investidas de clubes do exterior e segurou seus principais jogadores.
O presidente Modesto Roma Junior também foi às compras e contratou o volante Leandro Donizete (ex-Atlético Mineiro), o zagueiro Cléber (ex-Hamburgo), o lateral-direito Matheus Ribeiro (ex-Atlético-GO) e os atacantes Kayke (Yokohama Marinos), Bruno Henrique (ex-Wolfsburg) e Vladimir Hernandez (ex-Junior Barranquilla).
O sonho maior do presidente é conquistar o tetracampeonato da Copa Libertadores, mas isso não significa que o Paulistão será deixado de lado. Muito pelo contrário. O torneio regional, que abre o ano, é muito valorizado na Baixada Santista.
O Santos busca um feito histórico nesta edição. Na era Pelé, de 1955 a 1962, o clube ficou pelo menos em segundo lugar no Campeonato Paulista em oito temporadas consecutivas. A sequência foi repetida de 2009 a 2016, quando o time ganhou cinco títulos e foi três vezes vice. Por isso, se chegar à final novamente neste ano, a equipe de Dorival Junior se tornará o esquadrão que mais disputou títulos estaduais seguidos em 115 anos de história do Paulistão.
No período glorioso de finais seguidas da era Pelé, o Santos foi campeão em 1955 e 1956, ainda antes do surgimento do maior jogador de todos os tempos, e depois levou a taça em 1958, 1960, 1961 e 1962. Nesta série de oito decisões, caiu apenas diante do São Paulo em 1957 e contra o Palmeiras em 1958.
Estreia
Santos x Linense
Hoje, às 21h na Vila Belmiro
TIME-BASE - Vanderlei; Victor Ferraz, Cléber, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Vitor Bueno, Ricardo Oliveira e Copete. Técnico: Dorival Junior.

O atual campeão brasileiro já era bom e ficou melhor ainda. O Palmeiras perdeu Gabriel Jesus, mas para compensar a saída do moleque trouxe oito jogadores novos e montou um elenco muito mais forte e com repertório variado por posição para festejar conquistas importantes ao longo da temporada de 2017. Como o Estadual é o primeiro dos compromissos, a campanha servirá para ajustes antes de competições mais aguardadas no ano, como a Copa Libertadores.
O técnico Eduardo Baptista, recém-chegado para a vaga de Cuca, tem mais de 30 jogadores à disposição para formar a equipe que inicialmente divide com o Santos a condição de favorita ao título do Campeonato Paulista. Embora o sonho do clube seja a Libertadores, será no começo do torneio regional que o Palmeiras poderá fazer testes e se dar ao luxo de experimentar quais atletas do variado elenco podem formar o "time ideal".
As contratações possibilitam ao treinador ter pelo menos dois jogadores para cada posição. Se o Palmeiras é forte e renomado, vai precisar conciliar internamente as disputas no vestiário e possíveis insatisfações. Somente para inscrever os relacionados, por exemplo, são 28 vagas, limitação que deixará jogadores de qualidade fora.
Motivação para buscar a conquista não falta. O clube, que nas duas últimas temporadas ganhou dois títulos nacionais (Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro), quer acabar com o jejum regional. O último título paulista do Palmeiras foi festejado em 2008, quando o goleiro Marcos ainda era o principal nome da equipe.
Desde então, o Santos foi o grande algoz ao ser o responsável pelas duas últimas decepções do Palmeiras no torneio - em 2015, a equipe alvinegra derrotou a palmeirense na final, enquanto no ano passado eliminou o time alviverde nas semifinais. No começo desta fila de títulos estaduais iniciada em 2009, a equipe santista também eliminou os palmeirenses nas semifinais.
Estreia
Palmeiras x Botafogo-SP
Domingo, às 17h no Allianz Parque
TIME-BASE: Fernando Prass; Jean, Vitor Hugo, Mina e Zé Roberto; Felipe Melo; Tchê Tchê, Roger Guedes, Guerra e Dudu; Barrios. Técnico: Eduardo Baptista.

Depois do título na Florida Cup, um torneio amistoso realizado nos Estados Unidos no mês passado, o Campeonato Paulista marca a estreia de Rogério Ceni em uma competição oficial como técnico. A competição amistosa vencida em solo norte-americano deu ânimo e confiança ao novato, que tem na competição regional a difícil missão de acabar com o longo jejum de 12 anos do São Paulo.
Dos quatro grandes, o clube do Morumbi é o que está há mais tempo sem ser campeão paulista. Por isso, a ocasião é a ideal para o ex-goleiro. Rogério Ceni pode tirar o time tricolor da fila e consolidar de vez um trabalho de reconstrução do elenco, que vem de um 2016 marcado por decepções, principalmente pelos fracos desempenhos no segundo semestre tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Copa do Brasil.
O desafio do estreante será grande, afinal o São Paulo fez contratações modestas. As mais renomadas foram de jogadores que passaram pelo Fluminense: o meia Cícero e o atacante Wellington Nem. O trunfo será cativar a torcida com a presença do ídolo, agora no papel de comandante, e aguardar os resultados das novas metodologias do seu trabalho. Rogério Ceni trouxe um auxiliar inglês e outro francês e tem aplicado nos treinos novas atividades, como trabalhos setorizados.
A equipe demonstrou nos primeiros compromissos que vai apostar na velocidade para chegar ao gol adversário. A versatilidade de Rodrigo Caio na saída de bola, adiantado como um volante, dá início aos avanços. A mobilidade do peruano Cueva será fundamental para buscar o gol rival, assim como a presença de área e a efetividade nos arremates do argentino Chávez. A fragilidade ofensiva, porém, foi um dos problemas exibidos na pré-temporada.
No último ano em que foi campeão estadual, em 2005, o São Paulo também faturou o Mundial, sendo que Ceni foi o principal protagonista com grandes defesas na decisão diante do Liverpool, no Japão, onde a equipe brasileira triunfou com uma vitória por 1 a 0.
Agora, o ex-goleiro tentará começar a entrar para a história de outra forma, mas novamente pelo clube que defendeu como atleta por longos 25 anos, entre 1990 e 2015.
Estreia
Audax x São Paulo
Domingo, às 17h na Arena Barueri
TIME-BASE: Sidão; Bruno, Maicon, Breno e Buffarini; Rodrigo Caio; Thiago Mendes, Cícero, Cueva e Wellington Nem; Chávez. Técnico: Rogério Ceni.

Após perder vários jogadores, ficar sem o técnico Tite e passar 2016 em branco, sem conquistar nenhum título, o Corinthians quer fazer da temporada de 2017 um período de reconstrução, a começar já pelo Campeonato Paulista. Maior campeão estadual, com 27 conquistas, o time alvinegro conta com um elenco bastante renovado para dar a volta por cima e iniciar o ano com o pé direito.
A principal mudança está fora das quatro linhas. Fábio Carille, até então auxiliar, foi efetivado como treinador. Discípulo confesso de Tite, ele trabalha para retomar o equilíbrio tático no esquema 4-1-4-1 que o time tinha quando era comandado pelo agora comandante da seleção brasileira.
Seu principal desafio neste início de temporada é devolver a solidez defensiva que o Corinthians tinha até a saída de Tite no ano passado, sem perder força no ataque. Fábio Carille também tenta superar a desconfiança da torcida, uma vez que está no seu primeiro trabalho como técnico de uma equipe profissional. Para isso, conta com a simpatia do elenco por já conhecer a maioria dos atletas - ele está no Parque São Jorge desde 2009.
Mesmo sem dinheiro para fazer contratações de peso, a diretoria trouxe alguns reforços importantes como o volante Gabriel (ex-Palmeiras) e os atacantes Kazim, contratado do Coritiba, e Jô, de volta ao Parque São Jorge, onde foi formado, depois de passagem sem brilho pelo futebol chinês.
Na defesa, o zagueiro Pablo foi repatriado do Bordeaux, da França, e o jovem lateral-esquerdo Guilherme Arana ganha chance de se firmar com a saída do antigo titular da posição Uendel. Mas, o grande nome do time deve ser do meia Jadson, campeão brasileiro em 2015, que retorna ao Parque São Jorge.
Estreia
São Bento x Corinthians
Sábado, 17h no Estádio Walter Ribeiro
TIME-BASE: Cássio; Fagner, Pablo, Balbuena e Guilherme Arana; Gabriel; Rodriguinho, Jadson, Marlone e Giovanni Augusto; Jô. Técnico: Fábio Carille





