São Paulo, 09 (AE) - Com a migração de boa parte dos atletas da seleção brasileira e de Oscar, hegemonia nas cestas paulistas durante os quatro últimos anos, para o basquete do Rio, esperava-se o surgimento de talentos da nova geração disputando o título de cestinha do estadual masculino de basquete. No entanto, com o fim da fase de classificação, o que se constatou foi o fenômeno inverso: dos dez maiores pontuadores da competição, cinco têm mais de 30 anos. Na rodada anterior, a proporção era maior: de sete para dez - uma a valorização dos jogadores experientes.
O líder dos cestinhas é Janjão do Barueri/Vasco, de 27 anos. Em segundo está seu companheiro de equipe, Paulinho Cheidde de 33. Em seguida, Márcio Azevedo (UMC/Valtra/Mogi), Cadum (Hebraica), Zanon (Paulistano/Microcamp), Jeffty (Mogi), Danilo (Pinheiros), Sidnei (São Bento/Pires), Fernando Minucci (Marathon/Franca) e Márcio Dorneles (Franca).
Segundo o pivô Janjão, jogadores como o Cadum, Israel e o próprio Oscar, que continuam marcando muitos pontos, estão provando que aliar experiência e anos de cuidado com a forma física mantém um jogador competitivo. "A nova geração ainda não está preparada para decidir o jogo e, é natural, a responsabilidade acaba recaindo sobre aqueles que estão acostumados com a pressão."
Mas alguns dos atletas com mais de 30 anos, tem uma versão diferente para o fenômeno criado por eles. "Estou preocupado", disse Zanon. "Tenho constatado que os jogadores da nova geração são mais fortes, mas não tem uma técnica tão apurada quanto a dos juvenis da minha geração."
Para Paulinho, os juvenis de hoje são mais rápidos, por outro lado, sofrem com contusões graves mais cedo e mostram mais dificuldade para jogar no time principal do que os atletas da sua geração. "Às vezes tenho a impressão de que eles querem imitar os jogadores da NBA, mas falta técnica." Com isso, diz o ala, os jogadores mais experientes acabaram valorizados e, mesmo jogando contra atletas jovens, ficam quase todo o jogo dentro da quadra.
Os dois cestinhas têm a mesma opinião sobre a causa do problema. "Quando comecei, as prioridades eram investir na carreira, pensar no futuro e depois no dinheiro, agora o dinheiro vem primeiro, depois a carreira, e depois o futuro", diz Zanon. "Um jogador é capaz de trocar de time por um aumento de R$ 100,00, sem pensar se essa mudança pode atrapalhar o seu desenvolvimento como atleta", completou Paulinho.
Para eles, os jogadores da nova geração mostram pouca disposição para aprender, contestam os técnicos e jogadores mais experientes. "Hoje, depois do treino, nunca se vê um garoto treinando arremesso ou tentando aperfeiçoar uma jogada - muitos estão preocupados com o que vão fazer à noite."
Os jogadores acham, porém, que é possível melhorar com a mudança de atitude dos jovens. "É preciso que os jogadores dêem prioridade a aprender a jogar para depois pensar em ganhar dinheiro", diz Zanon.

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