São Paulo, 18 (AE) - Entra ano, sai ano, e o Campeonato Paulista continua sendo uma competição restrita aos grandes clubes da Capital, com estrutura que permite manter um elenco de qualidade para disputar o título da competição. Apesar do apoio da Federação Paulista de Futebol às equipes do Interior, o distanciamento entre estes dois blocos está cada vez mais evidente. O campeonato que se encerra neste domingo é mais uma prova disso. A competição só ficou interessante a partidas das semifinais, quando São Paulo, Santos, Corinthians e Palmeiras confirmaram as expectativas e entraram na disputa direta pelo título.
Eduardo José Farah costuma comparar o Campeonato Paulista com a Fórmula 1: além das McLaren, Ferrari e Williams que entram na temporada para brigar pelo título, é preciso a presença de carros mais lentos e pilotos capazes de provocar derrapadas e barbeiragens que ajudam a dar brilho ao espetáculo. Com essa tese, o presidente da FPF defende que, além de Corinthians, Palmeiras e São Paulo, a presença dos clubes pequenos, que desde 1990 não figuram entre os quatro melhores times do campeonato, também é fundamental.
Desde que Bragantino e Novorizontino decidiram o título estadual, em 1990, nunca mais os clubes do Interior ameaçaram a hegemonia dos grandes da capital. Nas últimas nove edições, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Portuguesa se revezaram nas primeiras posições da tabela. Este ano não foi diferente. Na primeira fase do campeonato, enquanto os quatro grandes disputavam o Torneio Rio-São Paulo, a Portuguesa foi absoluta. Fez a melhor campanha e garantiu sem problemas sua vaga na segunda fase.
São Paulo e Santos, que foram logo eliminados da Copa do Brasil, puderam dedicar-se exclusivamente ao Campeonato Paulista e fizeram as melhores campanhas nos seus grupos. O Corinthians teve melhores condições para garantir um lugar entre os semifinalistas depois que deixou a Copa do Brasil e a Taça Libertadores da América. O Palmeiras só se classificou na última rodada, eliminando a Portuguesa. A prioridade do clube era a conquista da Libertadores, conseguida na última quarta-feira.
A FPF passou o campeonato todo sem divulgar renda e público da maioria das partidas. Farah argumenta que a entidade encontrou muitas dificuldades para diferenciar o público pagante do público presente nos estádios. A tentativa de promover o "vale-ingresso" não deu certo porque a FPF descobriu um esquema de fraude entre bilheteiros e distribuidores dos vales e cancelou a promoção.
Farah diz que a média de público pagante no campeonato este ano foi de 18 mil torcedores e a de público presente chegou a 11 mil torcedores. Até a decisão deste domingo, o jogo que levou o maior número de torcedores ao estádio foi São Paulo x Matonense, no Morumbi: 48.421 pessoas. Na ocasião, os ingressos foram vendidos a R$ 3,00. O jogo deste domingo deve ter o melhor público. Os 59 mil ingressos colocados à venda esgotaram-se sexta-feira.

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