O presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Marcelo Paulino de Oliveira, disse ontem que não há 'gorduras' para cortar na autarquia. ''O perigo é o corte atingir o músculo e derrubar o paciente'', comparou.
Paulino se refere ao anúncio do prefeito Nedson Micheleti (PT), que incluiu a extinção da Fundação no pacote de redução de gastos na administração indireta enviada à Câmara de Vereadores. O pacote tem o objetivo de adequar o orçamento do próximo ano à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A autarquia seria transformada em Secretaria Municipal e todos os cargos comissionados seriam extintos, à exceção da presidência.
''Não dá para imaginar esta estrutura sem as pessoas que ocupam os cargos comissionados. É um projeto que deve ser muito debatido para que nenhuma parte saia prejudicada'', lembrou. Um exemplo usado por Paulino foi o caso de Zeferino Pasquini, um dos símbolos do LEC e administrador do Estádio do Café, que ocupa um cargo desta natureza. ''O Café pode abrir mão do Zeferino?'', questiona.
Paulino disse à Folha que foi avisado pelo prefeito antes do anúncio e entendeu a necessidade de colaborar com os esforços da atual administração em se adequar à LRF. ''Sou companheiro do prefeito em um projeto político e vou colaborar sempre que for preciso'', ressaltou.
Mas, Paulino assegurou que caso seus principais projetos sejam inviabilizados com a reforma administrativa, ele não permanecerá à frente do esporte amador do Município. ''Tenho certeza que isto não vai acontecer'', desconversou.
A Fundação não possui quadro funcional. Os 21 funcionários são cedidos por outros órgãos da administração, inclusive da Frente de Trabalho, que trabalham no kartódromo e no autódromo da cidade. ''Já temos uma estrutura enxuta, é difícil até pensar em cortes''. Paulino admite que ainda não sabe exatamente como nem quando serão efetuados os cortes.
Sobre a Lei de Incentivoááááá, âncora financeira da política do esporte amador, Paulino acredita que possa haver uma fórmula para garantir os repasses, mesmo com a nova estrutura e com as possíveis dificuldades burocráticas. ''O momento é difícil, mas tem que haver sensibilidade para evitar que um mecanismo de grande alcance social como este seja mantido'', alertou.

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