A 17ª e 18ª etapas da Stock Car, realizadas ontem em Londrina, veio cercada de expectativa pelo duelo entre os experientes Ingo Hoffmann e Paulo Gomes, que correm na categoria praticamente desde o início da mesma, em 1979. Os dois têm 97 vitórias (Ingo, 61; Paulão, 36) e, contando a prova de ontem, somam 15 títulos em 23 campeonatos realizados. Amigos há mais de 30 anos, nesta temporada a relação entre ambos ficou bastante estremecida.
Tudo começou na 12ª etapa, em São Paulo, no dia 9 de agosto, quando Paulão venceu. A direção de prova, alegando que ele havia estourado o tempo quando ultrapassou Ingo e obteve o primeiro lugar, lhe tirou a colocação. Paulão não se conformou, recorreu e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) lhe devolveu a vitória.
Mário CésarCaladoIngo: ‘Isso é coisa normal’O assunto no autódromo, ontem, era a situação dos dois, até então lutando pelo título. ‘‘Antes nosso relacionamento era bom, mas ele atualmente está apelando demais. Quando o venci em São Paulo ele reclamou bastante. Um esportista tem que saber ganhar e perder. Não guardo mágoa de ninguém’’, disse Paulão à Folha. Seco e arredio, Ingo limitou-se a dizer: ‘‘Isso é normal na disputa de um campeonato. Pessoalmente não tenha nada contra ele’’.
E todo este clima pode ter influenciado no desempenho de Paulão ontem, quando cometeu falhas inconcebíveis para quem tem tanta experiência. Quando todos esperavam pela disputa entre Ingo Hoffmann e Paulo Gomes, o que se viu foi um Ingo tranquilo na pista, enquanto Paulão acumulava erros. Primeiro, bateu no paranaense Flávio Trindade Neto, e levou uma penalização de 20 segundos por ultrapassar com bandeira amarela. Para finalizar, ao tentar uma ultrapassagem sobre Chico Serra, acabou batendo no carro do colega. Levou bandeira preta e foi desclassificado por atitude anti-desportiva.
‘‘O Paulão está maluco’’, disse Flávio Trindade após a prova. Já o piloto paulista se defendeu. ‘‘Vou recorrer da decisão. Eu tento fazer a ultrapassagem e o cara fecha. Depois o culpado sou eu’’, disse Paulão.
Ingo, por sua vez, correu sabendo o que fazer na pista e soube administrar o resultado na segunda prova, pois precisava de um terceiro lugar para ser campeão, em caso de vitória de Paulo Gomes. Como este fez muita ‘lambança’ na primeira prova e largou em último, Ingo não quis se meter em disputas acirradas e se garantiu com o quarto lugar. ‘‘Eu estava sob pressão para decidir o título aqui.’’
Para o pessoal que acompanha o dia a dia da categoria, a desavença entre Ingo e Paulão é coisa normal de quem participa de uma competição. Para Marcus Zamponi, assessor de imprensa da General Motors, ‘‘não dá para saber quando os dois vão voltar a se entender.’’
Já na Fórmula Chevrolet, o curitibano Nilton Rossoni Filho fez sua penúltima corrida. Ele este ano se dividiu entre a F-Chevrolet e a Barber Dodge americana, onde obteve duas vitórias, mas em 99 ele vai de dedicar apenas à categoria dos Estados Unidos. ‘‘Meu objetivo é a Fórmula Indy’’, conta. A Barber Dodge tem uma certa semelhança com a F-3, depois vem a Indy Lights e, em seguida, a Indy. ‘‘Vai ser bom esta temporada lá porque vamos fazer oito provas preliminares da Indy e isso é fundamental para você conhecer vários circuitos.’’

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