O meio-de-rede Paulão, do Telepar/Maringá, ainda não encerrou oficialmente a sua carreira, mas já fala com muita tristeza sobre a possibilidade, cada vez mais real, de abandonar as quadras. Aos 34 anos, o campeão olímpico em Barcelona, em 1992, sofreu uma série de lesões musculares na Superliga e não está disposto a treinar e a jogar com tantas dores. ‘‘As lesões que tenho agora são reflexo de 20 anos de vôlei e dos duros treinamentos da seleção brasileira’’, lembra o atacante gaúcho, de 2,01 metros. ‘‘Vou tratar da hérnia de disco que tenho na região cervical e depois decido se deixo de jogar ou não.’’
Paulão pretende dedicar-se ao tratamento nos próximos 60 dias. Vai encarar uma maratona de exercícios de Reeducação Postural Global (RPG) e de fisioterapia, além de reforço muscular. ‘‘Vou tentar voltar aos treinos em dois meses, juntamente com os outros jogadores da equipe’’, diz. ‘‘Se não conseguir, tenho de encarar a situação com naturalidade’’, prossegue. ‘‘Já fiz muito pelo vôlei e o vôlei já fez muito por mim.’’
Dívida Mesmo que abandone as quadras, Paulo André Jukoski da Silva não ficará longe do esporte. Paulão é presidente do Maringá Vôlei Clube e terá muito trabalho à frente da equipe. O principal é renovar o patrocínio com a Telepar para a temporada 1998/1999. A preocupação imediata, porém, é com as dívidas do clube. Os salários de janeiro ainda não foram pagos, assim como os aluguéis das casas onde moram os atletas. ‘‘Temos dinheiro a receber e nos próximos dias vamos pagar as contas e pôr em dia os salários’’, garante.
O objetivo do dirigente Paulão é deixar a equipe mais competitiva para a próxima temporada, melhorar a estrutura do clube e investir na formação de novos jogadores. Ele terá tempo para isso, já que o Telepar/Maringá ficou em nono lugar na fase de classificação da Superliga e não participará do octogonal, que começa dia 28. ‘‘Vamos tentar manter a base deste ano e buscar reforços’’, comenta o presidente, que recebeu convite para disputar o Campeonato Carioca de Vôlei. ‘‘A torcida de Maringá mostrou mais uma vez que adora vôlei e que merece um time mais forte.’’ Na última rodada da fase de classificação, cerca de 6.000 torcedores viram o Telepar perder, na quinta-feira, para a Olympikus, líder do torneio, por 3 a 2, num jogo emocionante e bastante equilibrado. Foi o maior público da competição até agora.

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