Paul Tergat quer 'fazer história' na São Silvestre
Agência Estado
De São Paulo
O queniano Paul Tergat precisa apenas de mais uma vitória para entrar no seleto time dos tetracampeões da Corrida Internacional de São Silvestre. Por enquanto, apenas três corredores venceram a prova quatro vezes: o belga Gaston Roelants (1964, 65, 67 e 68) e os equatorianos Victor Mora (72, 73, 75 e 81) e Rolando Vera (86, 87, 88 e 89).
Tergat, que ganhou em 95, 96 e 98, acha possível igualar a marca, mas não faz da preocupação em fazer história uma grande obsessão.
Ex-sargento da Força Aérea do Quênia, que chegou ontem cedo procedente de Nairobi, Tergat aprendeu a ser diplomático. Por isso, toda vez que chega ao Brasil rejeita o rótulo de favorito. Diz que a São Silvestre é uma prova muito difícil e muitos corredores têm condições de vencer. A derrota em 1998 para o paranaense Emerson Iser Bem mostrou que, de certa forma, não se pode cantar vitória antes do tempo. Tergat não disputa uma prova oficial há dois meses.
Adoro competir no Brasil, o público nos incentiva durante todo o percurso, os adversários são fortes e o calor é um obstáculo a mais a ser superado, define Tergat. Por isso, não posso prever se vou conseguir vencer a prova pela quarta vez ou até mesmo estabelecer um novo recorde. Em 1995, o queniano alcançou a melhor marca para o percurso de 15 quilômetros, com 43m12.
Olivera No ano passado, a iugoslava Olivera Jevtic chegou incógnita a São Paulo. Sem saber falar nada além do sérvio, ficou calada durante toda a entrevista coletiva que os atletas internacionais concederam dias antes da prova. Para surpresa de muitos, Jevtic desafiou o calor escaldante da cidade e venceu com folga a corrida feminina.
Este ano ela está de volta, querendo conquistar o bicampeonato para igualar a marca de Franjo Mihalic, único atleta da Iugoslávia a vencer duas vezes a Corrida Internacional de São Silvestre, em 1952 e 1954.
Ela conta que depois que venceu a São Silvestre de 1998, prometeu aos organizadores voltar ao Brasil para lutar pelo bicampeonato. A temporada para Olivera Jevtic, no entanto, foi conturbada. Assim que voltou para a Iugoslávia como campeã da São Silvestre encontrou o país em crise por causa do conflito na região de Kosovo. Por causa da guerra, a preparação ficou prejudicada, era difícil conseguir visto de entrada para os países onde queria competir, destaca a iugoslava.
Nas três principais provas que disputou este ano, Olivera Jevtic obteve a mesma colocação: quarto lugar nos 5 mil e 10 mil metros em Budapeste (Hungria) e na Meia-Maratona de Zurique (Suíça). Jevtic venceu a prova do ano passado sem nunca ter corrido em São Paulo. Agora, sem o fator surpresa a seu favor, acredita que será uma prova muito equilibrada.





