São Paulo, 31 (AE) - O queniano Paul Tergat, um dos melhores fundistas do mundo, conseguiu hoje a quarta vitória na tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, igualando a façanha obtida apenas por outros três corredores na história: o belga Gaston Roelants, o colombiano Victor Mora e o equatoriano Rolando Vera. Tergat, campeão de 1995, 1996 e 1998 e vice-campeão de 1997, ratificou o domínio do Quênia na competição. Com uma temperatura de 30 graus na largada e chuva na chegada, ele completou os 15 quilômetros da prova, com o tempo de 44min35, ficando longe de seu recorde, de 43min12, estabelecido em 1995.
A grande surpresa da prova foi a excelente atuação do brasiliense Marílson Gomes dos Santos, da equipe Funilense/São Caetano, que não estava entre os favoritos. Ele liderou boa parte da corrida e terminou na quarta colocação, garantindo um lugar no pódio, um carro como prêmio dos organizadores e o reconhecimento do público, que o aplaudiu bastante e o incentivou na subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. "Se não fosse o apoio dos torcedores, talvez não tivesse chegado tão bem", disse o atleta de 22 anos, bicampeão mundial de meia maratona. "A expectativa era de ficar entre os dez primeiros e foi muito bom chegar entre os cinco."
Treinado pelo bicampeão pan-americano Adauto Domingos, Marílson sentiu dificuldades em acompanhar o ritmo dos quenianos. "É muito difícil segurar o ritmo deles", disse o fundista, que disputará uma prova de meia maratona no Japão, em janeiro. "Fiquei nervoso com a corrida deles e, por isso, não deu para obter uma colocação melhor ainda."
Emocionado com o desempenho, ele ofereceu o seu lugar no pódio para a população de Ceilândia e de Brasília. Além de Marílson, que participou pela segunda vez da São Silvestre, outros dois brasileiros ficaram entre os dez mais bem colocados da prova: Daniel Lopes e Vanderlei Cordeiro de Lima ficaram em sexto e em sétimo lugares, respectivamente.
Dificuldades - Mesmo ficando longe de seu melhor tempo na prova, Paul Tergat garantiu que a vitória de hoje foi a mais difícil na competição. Embora o calor tenha diminuído no decorrer da prova, ele disse ter encontrado problemas para impor o seu ritmo. "A prova não foi tão veloz como gostaria e decidi esperar um pouco para definir a tática para os últimos quilômetros", comentou o queniano, que agradeceu o apoio dos torcedores antes de subir no pódio armado na Avenida Paulista. "Resolvi atacar somente na subida da Brigadeiro."
O fundista queniano, que tem o segundo melhor tempo do mundo nos 10.000 metros, segundo o ranking oficial da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), promete voltar para a corrida de 2000. Ele prefere, porém, não prometer o recorde de vitórias na competição. "Depois de uma prova difícil como esta, não posso falar de novas vitórias", afirmou. "Posso dizer apenas que quero participar mais vezes da corrida."
Paul Tergat, muito simpático, ofereceu o primeiro lugar para a sua filha, nascida no dia de Natal.
A corrida tática de Tergat foi perfeita. Ele ficou sempre entre os integrantes do pelotão da frente e não se importou com os ataques de Marílson, do etíope Tesfaye Tola, segundo colocado
ou de seu compatriota William Kiplagat, que ficou em terceiro lugar. Outro corredor que chegou a liderar a prova foi Simon Rono, também do Quênia, que acabou na nona colocação.
Para sorte dos organizadores, um forte temporal caiu na região da Avenida Paulista apenas depois da premiação.

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