Paul Tergat chega; favorito e humilde
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de dezembro de 1996
Agência Estado 
As conquistas de 96 e o reconhecimento internacional não mudaram o comportamento do queniano Paul Tergat, 27 anos, primeira estrela a chegar a São Paulo para a corrida de São Silvestre. Ontem, ao conversar com os jornalistas brasileiros, Paul esbanjava a mesma simpatia e humildade do ano passado, quando participou, pela primeira vez, da prova paulistana. Em 95, ele não era tão prestigiado no Brasil, apesar da medalha de bronze dos 10 mil metros no Mundial de Gotemburgo.
De pouco conhecido em 95, Tergat chega, este ano, com um currículo que lhe credencia a ser o favorito da prova. Além de ser o atual campeão, com o melhor tempo da história da São Silvestre - 43m12 -, Tergat teve um ano de muito sucesso. Foi medalha de prata na Olímpiada de Atlanta, na prova dos 10 mil metros; bicampeão mundial de cross country, sua especialidade, na Cidade do Cabo; tricampeão e recordista mundial de meia maratona - 58m51 -, em Stramilano, na Itália.
Tergat, no entanto, recusa favoritismo. Vai ser novamente uma prova difícil, com concorrentes muito fortes, lembra. O queniano cita seu compatriota Simon Chemoiywo, bicampeão (92-93), e o mexicano German Silva. Não esquece, é claro, de mencionar um brasileiro, o fluminense Luiz Antônio dos Santos. Melhorar seu tempo este ano também não é uma preocupação de Tergat. Isto vai depender dos outros atletas, se eles vão levar a prova em um ritmo forte ou não.
A única coisa que pode atrapalhar o queniano é uma clima adverso, muita umidade ou muito calor, como ele explica. Tergat não teve uma preparação especial para a São Silvestre. A prova brasileira é, na verdade, um treinamento para uma prova de cross country que disputa em março, na Itália. Tergat divide os treinos em duas fases. De novembro a março, treina no Quênia para as provas de cross country e, no resto do ano, na Itália e Suiça, para as provas de rua ou pista.
O queniano, de 1,82 m e 62 quilos, corre de 210 a 250 quilômetros semanais. Os treinos diários são divididos em três partes, duas pela manhã e uma à tarde. Não existe uma alimentação especial. Como de tudo, mas gosto bastante de leite e frutas. Tergat não programou um treinamento em São Paulo nos dias que antecedem à prova.
Lembrança Tergat lembra com um sorriso sua primeira participação na São Silvestre, uma mistura de susto com satisfação. Foi assim na largada, quando partiu seguido por milhares de participantes. Achei diferente, mas acabou sendo um grande impulso, uma grande força, disse. Ele ainda se recorda das pessoas entrando na pista durante a prova. Cheguei a pensar que fosse perder a liderança, mas percebi que aquilo tudo era uma forma de incentivo dos brasileiros.


