Agência Folha
De Zurique, na Suíça
A equipe Prost Grand Prix de Fórmula 1 mostrou na última quarta-feira, seu modelo para temporada deste ano, o AP-03. Mais do que as linhas aerodinâmicas do projeto, porém, o maior atrativo do evento estava na pintura do carro: no lugar da já tradicional Gauloises, marca francesa de cigarros, o logotipo da Yahoo!. Portal da Internet e mecanismo de busca mais frequentado da rede, a empresa criada nos Estados Unidos em 1994 por Jerry Yang e David Filo, dois estudantes da Universidade de Stanford, será a primeira do setor a desembarcar na categoria.
E, logo de cara, marcará uma revolução. Pela primeira vez em anos, o patrocínio tabagista será minoria no grid de largada. Com a parceria Yahoo!-Prost, passam a ser seis os times que não carregam marcas de cigarro em seus carros. Arrows, Minardi, Sauber, Jaguar e Williams juntam-se à equipe francesa. Entre as ‘‘resistentes estão só cinco times: McLaren (West), Benetton (Mild Seven), BAR (Lucky Strike), Ferrari (Marlboro) e Jordan (Benson & Hedges).
Mesmo esses times, no entanto, têm uma data limite para abdicar do cigarro: 2006, prazo determinado pela União Européia, com a concordância da FOA, a Associação dos Construtores da F-1. (Na Europa, circulam rumores de que a West deixará a McLaren ao fim do ano, independentemente do resultado que o time inglês conseguir nas pistas.) Com o fim iminente da patrocínio tabagista, as equipes vêm intensificando, temporada após temporada, a busca por alternativas que banquem suas estruturas.
Por enquanto, quem aparece com mais força para desbancar o cigarro é a indústria de telefonia. O maior exemplo é o da Minardi, que hoje é controlada em parte pela espanhola Telefónica. Outras seis empresas do setor estão na F-1: D2 (McLaren), Teleglobe (BAR), Marconi (Benetton), MCI (Jaguar), Nortel (Williams) e Tim (Ferrari). A indústria da informática também começa a aparecer na categoria.
Apresentado na semana passada, também em Barcelona, o carro da inglesa Williams traz a fabricante de computadores Compaq como seu principal patrocinador. A equipe inglesa, assim como a Prost, também abandonou o patrocínio tabagista. No ano passado, a Williams corria com as cores da marca Winfield.
O anúncio do patrocínio da Yahoo! pode ser entendido como uma das primeiras reações da empresa à megafusão entre a AOL (America Online) e o grupo Time-Warner, anunciada no mês passado, nos EUA. Estimado em US$ 166 bilhões, o negócio é uma forte ameaça ao portal, que, segundo especialistas, terá que investir em divulgação e buscar parcerias no ramo das telecomunicações para manter seu poder de fogo. A audiência da F-1, estimada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo, a entidade máxima do automobilismo) em 60 bilhões de telespectadores por temporada, é uma ferramenta importante nesse trabalho de tornar uma marca mais conhecida mundialmente.
Um jogo econômico que cada vez ganha mais importância na F-1 profissional de hoje. Que pouco lembra a era romântica do automobilismo.Apenas cinco times têm patrocínio de marcas de cigarro atualmente. Indústria de telefonia está chegando ao circo da f-1
- Arquivo FolhaRESISTÊNCIAA McLaren está entre as cinco equipes que ainda carregam propagandas de cigarro em seu carros. As outras são a Ferrari, Benetton, Jordan e BAR