Patrocínio pode dar sobrevida ao Estadual
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sábado, 03 de outubro de 1998
Ed Carlos Rocha 
Fadado a morrer, assim como a maioria dos campeonatos estaduais do País, o Campeonato Paranaense poderá estar ganhando uma sobrevida a partir do ano que vem. A venda do campeonato por R$ 5,5 milhões pela Federação Paranaense de Futebol para uma empresa de marketing esportivo, a R & S, do Rio de Janeiro, traz a promessa de ingressos mais baratos aos torcedores e cofres mais cheios para os clubes.
O valor a ser pago pela R & S, correspondente a 80% da carga total dos ingressos, é o dobro do que foi arrecadado pelos clubes em 98. No entanto, ainda poderá melhorar. Isto porque a empresa adquiriu também os direitos de comercialização dos campeonatos de 2000 e 2001, quando os valores serão renegociados. Os 20% restantes dos ingressos deverão ser vendidos pela FPF ao governo do Estado, por meio de troca de notas fiscais por ingressos.
Os números, pelo menos no papel, são altamente favoráveis aos clubes. Basta dar uma olhada nos resultados do campeonato deste ano para se chegar à conclusão de que os cofres vão engordar. O Coritiba, o Atlético e o Paraná tiveram uma média de renda bruta de R$ 46.964,00, R$ 38.327,00 e R$ 23.512,00, respectivamente, nos jogos que fizeram em casa na primeira fase.
Destes valores, são descontados pelo menos 40% para pagamento de despesas como taxa de arbitragem, taxa da Federação e outras.
De verba de televisão, os três clubes receberam perto de R$ 170 mil, fora os jogos das finais, cujos valores não foram divulgados pelos clubes, bem como de patrocínio.
Renda mínima - Em 99, os três clubes vão receber cada um da R & S R$ 109 mil para cada jogo que fizerem no campeonato na primeira fase. Este valor já é líquido e conta com o valor pago pela transmissão dos jogos por televisão a cabo. Para os demais clubes e para as outras fases da competição, os valores não foram definidos ainda.
Com esses números, segundo o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Nilo Rolim de Moura, deverá surgir um ciclo bom para todos os envolvidos. Com mais dinheiro, os clubes vão investir em times melhores. Com isso, os torcedores ficarão mais motivados a ir aos estádios, ainda mais porque a R & S já deu sinais de que poderá cobrar menos pelos ingressos, disse.
Posição dos clubes - A posição dele é ratificada pels presidente do Paraná, Dilso Rossi, e do Coritiba, João Jacob Mehl. Para Rossi, com mais dinheiro fica mais fácil estruturar o time para fazer um bom campeonato. Vai ficar fácil conseguirmos montar um bom time, com capacidade para brigar sempre por títulos.
João Jacob Mehl afirmou que a renda mínima garantida dá uma folga para o clube manter um bom time. Dá para planejar melhor o trabalho porque se sabe pelo menos o mínimo que será arrecadado, afirma Mehl. A diretoria do Atlético não quis se pronunciar.
Em 98, os preços dos ingressos de arquibancada foi cotado em R$ 10,00 nos jogos na capital. Para 99, a R & S, por meio do seu presidente, Roberto Seabra, anunciou que pretende fazer promoções com diversos patrocinadores e baixar o valor do ingresso. As percentagens de redução, no entanto, ainda não foram estipuladas.
Público dobrado - A perspectiva é que a média de público dos clubes da capital pelo menos dobre. Em 98, ano que foi considerado bom em relação aos últimos dez anos, o Coritiba conseguiu levar ao Estádio Couto Pereira uma média de 10.879 pagantes por jogo. A média do Atlético ficou em 9.303 e a do Paraná em 3.339 pagantes, sempre considerando-se a primeira fase e os jogos em casa.
A Federação também promete melhorar o campeonato em 99 não pelo aspecto financeiro para os clubes. Segundo o presidente Moura, a fórmula, que será decidida no arbitral do dia 13 de novembro, deverá privilegiar os clubes. A principal mudança seria em relação ao número de jogos. Em vez de dois turnos na primeira fase, deveremos ter apenas um, o que reduziria bastante o número de jogos e daria folga para os clubes participarem de outras competições, afirma Moura.
Competições - Em 99, além do Paranaense e do Brasileiro, Coritiba, Atlético e Paraná participarão também do Torneio Sul Brasileiro, que começa em janeiro. O Atlético já tem garantida participação na Copa do Brasil por ter sido o campeão estadual de 98. O Coritiba, devido às boas rendas, poderá ser convidado.


