Patrocínio é entrave para o judô paranaense
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sábado, 25 de fevereiro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
O mês de março concentra os dois primeiros campeonatos do ano da Federação Paranaense de Judô: o Torneio Início, no dia 12, e o Paranaense para Faixas Marrom e Preta, que acontece no dia 19. Este último é o mais tradicional do Estado apesar de não ser classificatório para campeonatos brasileiros, reúne cerca de 100 judocas mais graduados da entidade. O Torneio Início é aberto para todas as faixas e idades, reunindo cerca de 400 atletas de Curitiba, Região Metropolitana e interior.
Competições à parte, a falta de patrocínio ainda é o principal entrave para o desenvolvimento do esporte no Estado, tanto para os atletas quanto para a entidade. Os eventos não possuem bilheteria e realizá-los exige muita criatividade e jogo de cintura da federação, que custeia parte dos torneios e consegue recursos em miúdos, de porta em porta. ''Seja através do valor referente a inscrição de atletas (em média R$ 30), ou da busca de patrocínio feito pela direção de Marketing e do delegado regional'', informa Ivan Durand Júnior, diretor de Marketing da federação.
Segundo ele, alguns itens da planilha de previsão de custos são obtidas pela iniciativa de entidades. Para este ano, o aluguel do ginásio está sendo cedido pelo Colégio Padre Bagozzi. ''Os troféus e medalhas foram solicitados à Paraná Esporte e estamos aguardando resposta. Conseguimos alojamentos para os atletas com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Curitiba e com a 5 Companhia de Comunicações Blindadas'', informa.
A estimativa de custos para o torneio é de R$ 6.250,00, já para o Paranaense de Faixas Marrom e Preta o valor fica em torno de R$ 15.540,00. Os montantes são para premiação, alimentação para equipe de trabalho, confecção de camisetas e crachás para a organização e atletas, equipe de primeiro socorros, aluguel de som, computador e ginásio. Outros gastos com o campeonato são o aluguel de tatames e placares, hospedagem para coordenação, árbitros e oficiais de mesa e alojamento para as delegações convidadas.
Para Ricardo Santos, técnico da seleção paraolímpica brasileira e coordenador de seleções do Estado, a falta de patrocínio dificulta o crescimento do judô no Paraná. ''Precisamos de amistosos interestaduais para que nossos atletas cheguem mais competitivos nos torneios nacionais e possam aprimorar seu nível técnico. Estamos pecando nisso'', critica. ''Essa carência força os atletas a migrarem para outros centros e clubes que tenham recursos, seja para sobreviver ou aparecer no cenário nacional'', pontua Santos.
De acordo com Durand, a federação vêm tentando patrocínio com diversas empresas de grande porte do Paraná, mas a resposta sempre foi negativa. ''Mesmo tentando explicar que nossa intenção é captar recursos através da designação de parte do Imposto de Renda para o esporte, nunca fomos recebidos'', lamenta. ''Duas empresas nos deram esperanças. Pediram e-mails com propostas, mas uma respondeu que o orçamento já estava comprometido e a outra não fez mais contato. As demais já terminaram o assunto na primeira ligação telefônica''.
Base Durante 2006, a Delegacia Regional Sul da federação vai realizar treinamentos especiais para pequenos judocas em Curitiba. O treinamento será para os atletas das categorias Infantil (9 e 10 anos), Infanto-Juvenil (11 e 12 anos), Pré-juvenil (13 e 14 anos), em sistema de rodízio nas academias. A proposta é promover a integração entre os atletas e associações, formar e selecionar atletas em condições de participar de eventos interestaduais e nacionais. Não tem taxa de inscrição e os treinos acontecem sempre das 14 às 17 horas. Os atletas devem comparecer com seus quimonos.


