Patrocinadores pedem renúncia, mas Blatter descarta sair
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sexta-feira, 02 de outubro de 2015
France Presse 
Nova York - O megaescândalo de corrupção que abala o futebol mundial ganhou mais um capítulo ontem, com a decisão dos principais patrocinadores da Fifa, Coca-Cola, McDonalds e Visa, de pedir a renúncia imediata de Joseph Blatter, presidente demissionário da entidade.
"Pelo bem do jogo, a companhia Coca-Cola pede para que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, renuncie imediatamente, para que um processo de reformas confiável e viável possa começar seriamente", escreveu o gigante do ramo de bebidas num comunicado.
"Os eventos da semana passada mancharam a reputação da Fifa e abalaram a confiança do público na sua liderança", disse, por sua vez, a empresa de fast food.
Minutos depois dos primeiros pedidos de denúncia, o cartola respondeu por meio dos seus advogados que descarta deixar o cargo.
"Coca-Cola é um patrocinador valioso para a Fifa, mas o senhor Blatter discorda, com todo o respeito, da sua posição, e acredita com firmeza que deixar o cargo agora não serviria os interesses da Fifa ou adiantaria o processo de reformas, por isso descarta renunciar ao cargo", rebateu Richard Cullen, advogado do suíço de 79 anos, em outro comunicado.
Menos de uma hora depois desta reação, Blatter recebeu mais um baque, com o anúncio de que a operadora de cartões de crédito Visa também se juntou ao coro dos patrocinadores que pedem sua saída.
"Acreditamos que nenhuma reforma significativa pode ser feita na liderança atual da Fifa", disparou a empresa. "Pelos eventos ocorridos na semana passada, é claro que seria o melhor interesse da Fifa que Sepp Blatter renuncie imediatamente", completou.
Na última sexta-feira, a justiça suíça abriu uma investigação criminal contra Blatter, por "abuso de confiança" e "pagamento indevido" de dois milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) a Michel Platini, presidente da Uefa.
A Procuradoria-Geral também suspeita que o suíço de 79 anos assinou "um contrato desfavorável para a Fifa" com a União Caribenha de Futebol (CFU), presidida por Jack Warner, na venda dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2010 e 2014.
O escândalo estourou no dia 27 de maio, com a prisão num hotel de luxo em Zurique de sete altos dirigentes da Fifa a pedido da justiça americana, entre eles o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.
Esses cartolas estavam na Suíça para participar do congresso em que Blatter foi reeleito para um quinto mandato, no dia 29 de maio.
O suíço, porém, acabou colocando o cargo a disposição quatro dias depois, diante da forte pressão internacional, principalmente da parte dos patrocinadores.
Mesmo assim, Blatter, que está à frente da Fifa desde 1998, pretende permanecer nas suas funções até o dia 26 de fevereiro, data marcada para a eleição do seu sucessor.


