Patrocinadores abrem vagas para brasileiros
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
José Emílio Aguiar Agência Estado 
O interesse de empresas americanas de telefonia em investir no Brasil após a privatização da Telebrás poderá beneficiar dois pilotos brasileiros. A Ameritech patrocinará um terceiro carro na equipe Forsythe em 99 e quer um brasileiro para dirigi-lo. O nome que Gerald Forsythe, dono do time, deseja é o de Hélio Castro Neves. Na Arciero-Wells, financiada pela MCI, os candidatos à vaga aberta com a saída de Max Papis são Guálter Salles e Raul Boesel.
Forsythe confirmou que terá três carros. Além dos dois Reynard-Mercedes financiados pela Players - dirigidos pelos canadenses Greg Moore e Patrick Carpentier - a equipe fará um time à parte. Forsythe já havia conversado com André Ribeiro no ano passado, mas adiou o projeto. Agora, procura um piloto veloz e com experiência. Hélio é o primeiro nome, disse. Ele é talentoso.
Depois de atuações apagadas no meio do ano, pela falta de testes, Helinho voltou a brilhar em Vancouver, domingo passado. Liderou 20 voltas com grande vantagem, fez a melhor volta da prova e voltou a ser observado com atenção pelos donos de equipe, numa hora excelente: vários times estão fechando seus pacotes para 99.
Helinho tem contrato por mais um ano com a Bettenhausen, mas o time perdeu o patrocinador, a Alumax, e tem futuro incerto. O piloto e o empresário Émerson Fittipaldi estão insatisfeitos com o desempenho deste ano.
O passe de Helinho interessa também à Chip Ganassi. Émerson tem ótima relação com Ganassi, que foi sócio de Pat Patrick e seu patrão em 89, quando ganhou o título da Indy. Ganassi conversou com Fittipaldi e quer incluir Helinho na lista de pilotos que farão um teste para o lugar de Zanardi.
O carro de Ganassi e o da Arciero-Wells são os mais disputados do mercado. Na Arciero, a garantia de bom desempenho vai depender do novo motor Toyota, que estréia em 99. O que atrai os pilotos é o salário: é um dos poucos lugares em que os candidatos não precisam levar patrocínio. A MCI e a Toyota bancam tudo e a empresa de telefonia tem interesse num brasileiro.
O primeiro a negociar com o time foi Christian Fittipaldi, que renovou com a Newman-Haas. Agora, Guálter Salles e o sueco Kenny Brack, destaque da liga rival IRL, largaram na frente. Salles tem a indicação da Ford, impressionada com seu trabalho na Payton-Coyne. Raul Boesel tem a ajuda do ex-companheiro Scott Pruett, primeiro piloto do time. Até Cristiano da Matta, campeão da Indy Lights, Roberto Moreno e o italiano Emanuele Naspetti, ex-F-1, estão na briga.
Petrobrás - Enquanto a privatização pode beneficiar alguns pilotos brasileiros, o financiamento estatal pode ajudar outros. Cristiano da Matta, campeão da Indy Lights, negocia um acordo com a Petrobrás para conseguir uma vaga na Indy em 99. A empresa brasileira de petróleo já financia a equipe Williams na Fórmula 1 e a carreira de alguns pilotos brasileiros, como Bruno Junqueira, da F-3.000, e Ricardo Zonta, piloto de testes da McLaren.
Da Matta, de 24 anos, é um dos talentos mais promissores do automobilismo brasileiro dos últimos anos, mas ainda não conseguiu garantir um lugar na Indy, apesar do título na categoria-escola. Nas duas equipes em que mantêm negociações mais avançadas - a Tasman e a Walker - precisa levar pelo menos US$ 4,5 milhões.
Cristiano conversa também com a Arciero-Wells, a Hogan e se candidatou a um teste na Ganassi, para o lugar de Zanardi. Na Arciero e na Ganassi, teria a vantagem de não precisar levar dinheiro. Frank Arciero, Carl Wells e Chip Ganassi, porém, dão preferência a pilotos que já tenham alguma experiência.
Enquanto Da Matta tenta dar o passo decisivo na profissão, outros brasileiros se candidatam ao seu lugar na Indy Lights. O paulista de Bauru Airton Daré, seu companheiro este ano, é o candidato natural ao posto de primeiro piloto da Tasman. Daré ganhou uma corrida, em Detroit, e ocupa o quinto lugar no campeonato.
O candidato mais forte ao outro carro da Tasman é Felipe Giaffone. Quarto colocado no atual campeonato, Giaffone briga pelo vice-campeonato na equipe Conquest, sem tradição na categoria. Felipe tem apoio da Hollywood e negocia com a própria Conquest e com a Tasman, que ganhou quatro títulos nos últimos seis anos e é considerada a melhor equipe da Indy Lights.


