São Paulo, 05 (AE) - Quando era garoto e começava a dar as primeiras arrancadas nas pistas, Eronildes Araújo tinha de usar roupas e sapatos emprestados para conseguir treinar. Em casa, as refeições raramente variavam do feijão com arroz e ovo. Quando muito, comia uma fatia de mortadela ou um pedaço de frango. Para ele, foi um tempo de provação que, felizmente, ficou para trás.
Hoje, na sede da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Eronildes, tricampeão pan-americano dos 400 metros com barreiras
saboreava um estrogonofe de camarão depois de participar da entrega de barras de ouro à equipe de atletismo que trouxe 16 medalhas (sete de ouro) dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. O evento marcou a renovação do contrato de patrocínio dos atletas, o que, para todos eles, é sinônimo de segurança para prosseguir os treinamentos.
"Foram muitos anos de dedicação e sofrimento até conseguir esse patrocínio e o reconhecimento", desabafou Eronildes, exibindo no peito a medalha de ouro. Depois do destaque na mídia do sucesso em Winnipeg, o atleta espera que novos patrocinadores comecem a dedicar atenção ao atletismo. "O que mais quero é vestir uma camiseta cheia de nomes, igual aos pilotos da Fórmula 1", sonha o corredor.
O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima foi outro que derramou elogios à confiança dos patrocinadores no trabalho dos atletas. Até 1990, ele participava de provas movido apenas pela força de vontade. Só quando começou a treinar pela Funilense, lembra ele, é que seu desempenho melhorou. "É importante nós termos condições de treinar com tranquilidade, sem preocupar-nos se poderemos comer no dia seguinte", disse o medalhista de ouro
que começa a treinar amanhã para a Maratona de Fukuoka, no Japão, que será realizada no dia 6 de dezembro.
Na cerimônia na BM&F, cada atleta recebeu uma quantidade de barras de ouro proporcional ao número de medalhas que ganhou. Quem se deu melhor com o critério foi Claudinei Quirino dos Santos, que conquistou quatro medalhas: duas de ouro (200 m e revezamento 4x100 m), uma de prata (revezamento 4x400 m) e outra de bronze (100 m). Claudinei ainda não sabe o que vai fazer com os cerca de R$ 20 mil em ouro que ganhou do patrocinador, mas o prêmio provavelmente vai ajudá-lo a realizar o sonho de construir sua casa em Presidente Prudente.
"Graças ao apoio dos patrocinadores, hoje eu posso concentrar-me apenas nos treinamentos e em melhorar ainda mais meus tempos", afirma Claudinei, que conta com o patrocínio da BM&F, da Funilense e da Olimpikus. "É preciso dar condições para um esporte carente como o atletismo; nós provamos que o retorno pode ser bom." Claudinei viaja esta semana para a Europa, onde vai participar de competições em Londres, Zurique e Montecarlo.

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