Patrocinador defende a reorganização do esporte
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por João Pedro Nunes 
São Paulo, 10 (AE) - A ameaça da Roma de contratar o atacante Nalbert, o grande destaque da Olympikus e da seleção brasileira de vôlei, serviu como alerta para o diretor de Marketing do Grupo Azaléia - principal patrocinador do esporte -, Getúlio Nunes. Ele defende a reorganização do vôlei como uma forma de encarar o assédio de equipes estrangeiras na tentativa de contratar os melhores jogadores do País, aproveitando a desvalorização do real.
"Temos um esporte organizado, mas precisamos dar um salto de qualidade e consolidar o profissionalismo", comenta o executivo da Azaléia, indústria de calçados que fabrica a marca Olympikus. "Temos de adotar um novo formato para consolidar o vôlei como segundo esporte na preferência da torcida."
A proposta de mudança mais radical é retirar o nome do patrocinador da equipe, que passaria a ser vinculada a universidades, prefeituras e associações, como Sesi e AABB. "O grande problema é que o patrocinador tem de pagar 100% da conta e isso não pode continuar ocorrendo", acredita Nunes. "A liga tem de trabalhar para vender os direitos de transmissão dos jogos pela TV e as equipes precisam ter autonomia na venda das placas de publicidade em seus ginásios."
Nunes não está preocupado com seu time, líder invicto da Superliga Nacional. A preocupação, segundo ele, é com a estrutura. "A Olympikus propôs pagar 60% das despesas para que a TV Bandeirantes transmitisse os jogos da Superliga", lembra. "Os outros 11 times teriam de pagar os outros 40%, cerca de R$ 45 mil cada um", prossegue. "Não houve acordo e estamos fora da transmissão por canal aberto."
O executivo sugere a realização de um grande fórum para repensar o esporte e combater a "visão pequena" de alguns patrocinadores. Ele acha que os dirigentes da Confederação Brasileira de Vôlei têm de assumir o comando das discussões e tomar atitudes. Nunes não se conforma, por exemplo, com o fato de o Banco do Brasil, patrocinador das seleções nacionais, não investir na Superliga. "O BB só apóia os eventos de praia", diz. "É falta de sensibilidade e mostra que a empresa só pensa no marketing e não no esporte."


