Passarella exige autonomia do Corinthians
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terça-feira, 01 de março de 2005
Agência Estado 
São Paulo - Daniel Passarella só aceita vir ao Corinthians, em substituição a Tite, demitido segunda-feira, se tiver total autonomia para comandar e montar a equipe. O treinador argentino conversou durante todo o dia de ontem com o iraniano Kia Joorabchian e insistiu não só em um altíssimo salário como também neste ponto: se recebesse a garantia de que não haveria interferência em seu trabalho, admitiria aceitar o cargo até às 20 horas de ontem, não havia dado a resposta à contraproposta da MSI.
A exigência de Passarella se justifica após o episódio que teria servido como decisivo na demissão do antigo técnico. Após a derrota para o São Paulo, por 1 a 0, domingo, o iraniano entrou nos vestiários do time alterado, bravo com a atuação da equipe. Teria feito reclamações, em inglês, a Paulo Angioni, diretor da MSI. O dirigente tentou acalmá-lo, mas a rispidez do executivo acabou chamando a atenção dos jogadores. Tite se sentiu ofendido, pediu (em português) calma ao novo homem forte do clube e acabaram discutindo.
Especulou-se que Kia teria ficado irritado por Carlos Tevez não ter sido o escolhido para cobrar o pênalti desperdiçado pelo lateral Coelho, que empataria o clássico do Morumbi. Angioni e o diretor de Futebol, Andres Sanchez, negam esta versão. ''Vocês que conhecem futebol sabem que quem treina é quem bate'' disse Sanches ao lembrar que Coelho é o batedor oficial corintiano.
O ex-zagueiro Passarella não tem o perfil de quem aceitaria tal suposta ingerência em seu trabalho. O argentino ficou conhecido no futebol por declarações polêmicas como quando exigiu que os jogadores da seleção argentina, em 1994, cortassem os cabelos e não usassem brincos e também por ser uma pessoa de difícil tratamento. É considerado chato, implicante e ranzinza pelos jornalistas de seu país.
Resistência As pressões contrárias existem, mas Kia não abre mão de ter Passarela. Ontem, o presidente da Gaviões da Fiel, Ronaldo Pinto, principal torcida organizada da equipe, tentou cancelar a contratação. Teria ligado para o iraniano, dito que preferiria Nelsinho Baptista ou Paulo Autuori. O dono da MSI, no entanto, tem autonomia total na decisão.
No fim de 2004, quando Vanderlei Luxemburgo, então no Santos, disse não à MSI, Kia buscou outro representante portenho, Carlos Bianchi (que não pôde vir por problemas pessoais), mas também sondou Passarella para a função de treinador, oferta logo recusada.


