O técnico da seleção uruguaia, o argentino Daniel Passarella, viveu uma situação inusitada no domingo, na partida em que sua equipe foi derrotada por 2 a 1 pela Argentina, em Buenos Aires, pela nona rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2002. Primeiro foi o fato de pela primeira vez em sua vida torcer contra a seleção de seu país, a qual já defendeu como jogador e treinador. Depois, ele conseguiu despertar a ira de um jogador de cada lado: Batistuta e Recoba.
A partida estava 1 a 0 para os argentinos – gol de Gallardo – quando Gabriel Batistuta, após quatro jogos amargando um problema no joelho direito, mostrou que estava recuperado, ao marcar o segundo gol dos donos da casa. O atacante correu até à beira do campo e ‘‘dedicou’’ o gol para Passarella, seu antigo desafeto. ‘‘F.D.P. este gol é para voc꒒, disse Batistuta, que repetiu o gesto no fim do jogo.
Batistuta e Passarella têm uma longa história de brigas e dicussões. Tudo começou em 1990, quando o treinador assumiu o River Plate e deixou o atacante no banco de reservas. A rivalidade aumentou quando Batistuta se transferiu para o Boca Juniors. Passarella passou a comandar a seleção argentina e o calvário de Bati-Gol ficou ainda maior.
Batistuta começou como titular, mas bastou Passarella criticar a falta de fibra dos jogadores para que o atacante ficasse afastado da seleção por quase um ano. Após a saída do treinador da seleção argentina, depois da Copa de 98, as brigas deram uma trégua, só recomeçando no clássico do Rio da Prata.
Mas o atacante argentino não foi o único a xingar Passarella. Um dos principais jogadores uruguaios, o atacante Alvaro Recoba, não escondeu a sua insatisfação ao ser substituído aos 24 minutos do segundo tempo, quando a Argentina vencia por 2 a 1, mas o Uruguai pressionava em busca do empate. Sebastián Abreu se preparava para entrar e a placa com o número dez, de Recoba, foi levantada pelo árbitro reserva. Isto foi suficiente para que o atacante se revoltasse. ‘‘Vai para a P.Q.P.’’, esbravejou.