Um time sem tradição no futebol, que nunca foi a uma Copa do Mundo. Uma equipe que sequer conseguiu um empate nas 14 partidas que disputou contra a seleção brasileira nos últimos 32 anos - período em que tomou 67 gols e marcou apenas 2. Por temor a essa equipe, a Venezuela, que pode com um empate levar um Brasil tetracampeão a uma inédita e vexaminosa repescagem nas eliminatórias da Copa do Mundo, o técnico Luiz Felipe Scolari abdicou de quase todos os conceitos que o fizeram famoso no futebol.
O técnico se rendeu à necessidade de atacar e planejou uma seleção brasileira mais ousada no jogo contra a Venezuela, hoje, às 21h45, em São Luís, no Maranhão. Felipão não abriu mão do terceiro zagueiro, mas cedeu quanto à questão dos volantes.
Escalou Émerson na cabeça de área e decidiu arriscar com uma tática que não faz parte de seus hábitos: marcar por pressão o adversário em seu próprio campo desde o começo da partida.
O que Scolari mais teme é a enorme pressão psicológica que a seleção brasileira vai sofrer. Por isso, trabalhou apostando na possibilidade de marcar um gol logo no começo da partida. De preferência, até os 15 minutos. ''Seria o ideal. Mas se o gol demorar não adianta se desesperar'', alertou o técnico, que vive incertezas quanto ao seu futuro no cargo.
Apesar do planejamento para vencer a Venezuela, Scolari pode surpreender na escalação. Nos treinos na Granja Comary, a diferença no desempenho entre a equipe com Luizão no ataque em relação à que contou com Ronaldinho Gaúcho foi tamanha, com vantagem para o segundo, que o treinador ficou em dúvida.
Mas, entre os jogadores, o que menos importa é o escolhido. Depois que assumiu parte da responsabilidade pelo futuro do time, o grupo ganhou consistência no sentido coletivo. Até o tratamento dado ao adversário mudou. ''Que se dane a qualidade da Venezuela. Vai ter de dar Brasil, de um jeito ou de outro'', sustenta o atacante Edílson. Apesar do antipático desembarque do time em São Luís, o clima entre o torcedor e a seleção é favorável. Ontem, no reconhecimento do gramado, cerca de 40 mil pessoas estiveram no Estádio Castelão com o objetivo de demonstrar seu apoio à equipe. Hoje a previsão de público é de 75 mil.

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