Arequipa, Peru - Ao reiterar que a Copa América é um laboratório para observar jogadores que, em condições normais, não teriam chance na seleção principal, o técnico Carlos Alberto Parreira quer, aos poucos, consolidar o grupo de 22 jogadores com o qual pretende chegar à Copa do Mundo de 2006. A decisão de deixar fora da competição o time titular das eliminatórias do Mundial se deve à intenção do treinador de voltar para o Brasil com a lista completa dos reservas da equipe 'A', a de Ronaldo e companhia.
Parreira não fala abertamente sobre seus critérios de escolha, mas já deixou vazar entre colegas da comissão técnica que pelo menos 80% dos 11 titulares ao final da Copa América serão os reservas imediatos dos craques ausentes na competição. A situação de Júlio César é diferente, uma vez que continuará como terceiro goleiro da equipe, atrás de Marcos e do preferido de Parreira, Dida. É preciso relevar também um eventual desfalque por motivo de contusão ou de punição por cartões amarelos ou vermelho.
Na segunda fase da Copa América, de jogos eliminatórios, as mudanças na equipe vão ser reduzidas, a fim de evitar mais riscos, pelo desentrosamento. Para a partida de ontem, contra o Paraguai, o técnico já havia decidido escalar Bordon, zagueiro do Stuttgart. Não contava com uma contratura muscular acusada pelo atleta no início da semana.
Embora a recuperação do jogador seja rápida até amanhã estará liberado pelos médicos , ele dificilmente vai ter oportunidade de atuar no torneio. Exatamente por causa da característica das partidas a partir de agora quem perde, é eliminado. Bordon vem treinando entre os reservas desde o início da preparação, no final de junho, em Teresópolis, região serrana do Rio.
Em Arequipa, Parreira, o coordenador-técnico Zagallo, o supervisor Americo Faria e os outros integrantes da comissão técnica têm observado atentamente o comportamento dos atletas. Para eles, não basta que um jogador se destaque nas partidas para garantir vaga no grupo. Os treinos, às vezes monótonos para quem os presencia, são muito importantes para a avaliação de cada um. Além disso, o dia-a-dia no hotel, a maneira de se relacionar em equipe, e com a imprensa; tudo isso é levado em consideração na hora da nota final, que cabe a Parreira.
Ao término da Copa América, ele vai ter em mãos os 22 nomes preferidos para a continuação das eliminatórias. Quem está em Arequipa e não figurar nessa relação, pode manter as esperanças de convocação.
Basta lembrar que o treinador mantém atualizada uma lista mais abrangente, com cerca de 40 atletas e média de quatro jogadores para cada posição.

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