Parreira pode mexer no time
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domingo, 18 de junho de 2006
Marcos Penido<br> Agência O Globo 
Munique - Com a primeira missão de classificar o Brasil para as oitavas-de-final da Copa do Mundo cumprida uma rodada antes do final da primeira fase, o técnico Carlos Alberto Parreira disse ontem que pode mexer no time no terceiro jogo, contra o Japão, dependendo de uma consulta aos médicos da seleção. Ronaldo, porém, vai ter uma nova oportunidade. O treinador quer aproveitá-lo durante pelo menos 70 minutos para que ganhe ritmo de jogo.
Vou ver o que é melhor para o time brasileiro com os médicos e preparar o time para as oitavas-de-final, disse Parreira para entrar no assunto Ronaldo. No caso do Ronaldo acho que houve uma melhora de rendimento. As pessoas tem que entender que ele ficou dois meses sem jogar no Real Madrid e não chegou no melhor da sua forma. Hoje (ontem) jogou melhor que no primeiro jogo e vai subir no próximo. Pretendo utilizá-lo pelo menos durante 70 minutos. O que ele precisa é de ritmo e vamos prepará-lo.
O técnico, no entanto, deixou uma porta aberta para alguma mudança no time: Quero pensar e ver o que é melhor para o jogo das oitavas-de-final quando entramos na disputa do mata-mata. Eu sempre disse que o forte da seleção brasileira é o grande número de bons jogadores que temos. Geralmente o time que inicia uma Copa do Mundo não é o que acaba. Vamos ver, disse.
Quem ganhou mais elogios de Parreira foi o setor defensivo. Ele elogiou o posicionamento e a atuação dos jogadores e citou Cafu e Roberto Carlos como exemplos. Eles estão dando conta do recado. Só de não estarem falando deles é um bom sinal. Estou muito feliz com a defesa brasileira, afirmou.
Segundo Parreira, as coisas estão acontecendo dentro do que planejou. Na sua definição, está é a Copa da saúde e o time deu uma mostra diante da Austrália de que cresceu na parte física e tática dando o segundo passo de sete rumo a disputar o título da competição.
O jogo contra a Austrália foi analisado pelo treinador como um ótimo teste. Contra o Brasil os times jogam sempre de uma maneira diferente. Hoje (ontem) eram 10 jogadores atrás da linha do meio de campo e um na frente. É difícil de superar este esquema. Mas nós conseguimos cadenciar o ritmo e imprimir velocidade no momento certo, disse.
O fato de Robinho ter entrado na equipe e dado outro ritmo de jogo ao time não pareceu ter impressionado o treinador brasileiro. A entrada tanto do Robinho quanto do Fred na frente deu mais movimentação à equipe porque eles estavam de pilha nova. Uma coisa é um jogador começar uma partida e outra bem diferente é entrar durante o jogo. O importante é que todos cumpriram bem as suas funções, inclusive o Gilberto Silva, que substituiu o Emerson e atuou como um terceiro zagueiro fazendo muito bem a função de marcar o Kewell.
O atacante Fred que entrou no fim do jogo e marcou um gol mereceu o seguinte comentário de Parreira. O treinador às vezes mexe e as coisas acontecem de forma favorável como ocorreu com o Fred. Vão dizer que fui feliz na mexida. Em um minuto entrou e marcou um gol que comemorou com muita alegria. Foi interessante, um estilo bem brasileiro. Mas muitas vezes as coisas não acontecem desta maneira. O importante é que tive a preocupação de colocar o time ofensivo com força e velocidade na frente, afirmou Parreira, já de olho na preparação do time para as oitavas-de-final da Copa. Nesta hora, ele sabe que não poderá errar para subir o quarto dos sete degraus que levam à final.


