São Paulo - Carlos Alberto Parreira continua irredutível. Não dá, em nenhuma hipótese, pista sobre a lista dos 23 jogadores da Seleção Brasileira que irão à Copa do Mundo. Só divulgará os nomes no dia 15, prazo limite imposto pela Fifa. A grande dúvida continua sendo o goleiro Marcos, do Palmeiras, que não joga desde 11 de fevereiro. E antecipou que Ronaldinho Gaúcho terá de descansar na Suíça, nos 20 dias de preparação do Brasil antes da estréia no Mundial.
  Convidado para abrir o 12º Congresso Brasileiro de Psicologia do Esporte, ontem, na Universidade São Judas, em São Paulo, Parreira falou da convocação, a importância da Seleção ao País, sexo na Copa, favoritismo do Brasil, adversários mais perigosos e psicologia. Só não antecipou a lista.
  Agência Estado - O Marcos, do Palmeiras, não joga desde fevereiro. Ele corre risco de não ser convocado?
  Carlos Alberto Parreira - Não quero ser descortês. Há 15 dias não falo em nomes e me reservo a não falar sobre o Marcos. A convocação será no dia 15. Não é o momento para dizer os nomes.
  AE - Ainda tem alguma dúvida na lista? Haverá surpresas?
  Parreira - Dúvidas eu não tenho, mas há situações que devemos analisar. Houve mudanças de rumo em situações que estavam perfeitamente equacionadas. Estamos analisando quem está jogando e quem não está. A hora não é para se ter surpresas. Meu princípio é não ter princípios. Cada caso será analisado.
  AE - Jogadores que estão machucados ou se recuperando de contusão têm chance de aparecer na lista do dia 15?
  Parreira - Até a hora da convocação, tudo pode acontecer. O importante é você ter confiança no jogador. Recorro ao caso do Branco, que em 94 estava há dois meses sem jogar. Foi convocado para a Copa dos Estados Unidos e passou 14 dias com o Moraci Sant’Anna (preparador físico). Ficou sem jogar e entrou no jogo contra a Holanda (quartas-de-final) e decidiu para o Brasil. Eu tinha total confiança no Branco. Por isso, repito: cada caso é um caso.
  AE - Você está preocupado com uma suposta teoria da conspiração contra o hexa do Brasil?
  Parreira - Nunca usamos esta expressão ‘‘teoria da conspiração’’. Vamos jogar na casa dos inimigos, 14 seleções fortes da Europa, que vão fazer de tudo para ganhar do Brasil. Pela primeira vez o Brasil vai sair daqui como favorito e todas as vezes que ganhamos uma Copa saímos daqui desacreditados. A hora é de mudar esse conceito. Por que não podemos sair favoritos e vencer? Vamos quebrar esse paradigma.
  AE - Você está abrindo o congresso de psicologia. Como pretende motivar as estrelas da Seleção na Copa?
  Parreira - Este é um trabalho que temos de fazer com todo o cuidado. Estamos lidando com jogadores bem resolvidos. A motivação tem de existir. Queremos jogadores comprometidos com a Copa e não acomodados com posições politicamente corretas. Eles têm de trabalhar duro.

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