Lima - Carlos Alberto Parreira apelou para um velho truque nesta final da Copa América. Externamente, para a mídia, o treinador repassou toda a responsabilidade de ser campeão para o time de Marcelo Bielsa, que há 11 anos não consegue vencer um torneio significativo. Mas internamente, entre os jogadores, o discurso é bem diferente. Ele quer ganhar dos argentinos de qualquer maneira. Tanto que analisa com carinho a possibilidade de colocar a força de Júlio Baptista no meio-de-campo no lugar da técnica de Kléberson.
''País nenhum do mundo conseguiria repetir o que o Brasil fez nesta Copa América. Formou um time jovem em dez dias e chegou à final. Os meninos passaram pelo vestibular. Mostraram ter nervos de aço. Agora contra a Argentina a responsabilidade de vencer é deles. Será uma final histórica. Pela primeira vez duas seleções de ponta dispuram a decisão da Copa América. Eu vou falar para os meus jogadores: ''enjoy the game'' (divirtam-se). Tenham prazer, desfrutem essa final'', diz sorridente.
Mas, ao mesmo tempo, muito sério ele estuda os teipes e os relatórios do espião Jairo dos Santos sobre a Argentina.
Principalmente a forma fácil com que dominou a Colômbia na vitória por 3 a 0 na semifinal. O técnico está tentado a reforçar o poder de marcação no meio-de-campo para evitar que os argentinos ditem o ritmo de jogo. Júlio Baptista não entrou por acaso nos últimos 15 minutos contra o Uruguai.
''Eu tenho muita esperança de entrar nesta final. O 'professor' Parreira me colocou diante do Uruguai e tenho a certeza que pude mostrar futebol. Vai depender da vontade do treinador'', afirma Júlio Baptista.
Parreira falou muito ontem sobre o time. Sempre que se referiu a Kléberson disse que o volante conseguiu se superar fisicamente já que estava muito tempo parado por causa de contusões. E que é um dos jogadores mais desgastados com essa sequência de partidas na Copa América. Ele está reagindo bem, mas o desgaste está enorme. O Kléberson por enquanto tem suportado'', avalia Parreira, deixando perceber no tom de sua voz a chance de trocá-lo por Júlio Baptista.
Parreira acredita que a pressão de enfrentar o México e Uruguai, times cuja base já tem anos, serviu para preparar o ânimo dos jogadores. ''O time já passou pelo vestibular. Todos foram aprovados e mostraram condições de enfrentar esse teste final contra os argentinos. Soube que os nossos adversários ganharam uma competição importante há 11 anos, a Copa América de 1993. No que depender de mim, da minha vontade, o jejum deles vai aumentar no domingo'', provoca Parreira, devidamente influenciado pelo incendiário Zagallo.

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