Weggis, Suíça - O técnico Carlos Alberto Parreira respondeu ontem, com ironia, a afirmação que Pelé fez ao jornal inglês ''The Times'' de que a seleção brasileira de 70 venceria a atual por ser mais organizada e ter um ataque melhor. ''Tenho muita dificuldade para comparar épocas. Fico feliz que o Pelé tenha essa capacidade de comparar, pois eu não tenho'', disse o treinador, que, na Copa de 70, no México, era auxiliar do preparador-físico da seleção brasileira.
Parreira não quis fazer muitos comentários sobre a convocação de Mineiro para o lugar de Edmílson ''foi uma decisão da comissão técnica'' , mas reconheceu que pesou em favor o jogador o fato de ele estar em atividade no São Paulo, enquanto os outros convocáveis, como Renato e Júlio Baptista, estão de férias no futebol europeu. O treinador disse ainda que Juninho Pernambucano possa desempenhar a função de volante se for preciso.
Sobre a Copa do Mundo, Parreira disse que as grandes seleções vão se impor pela tradição e pelo peso de sua camisa, mas que algumas equipes emergentes, como Estados Unidos e México, certamente vão dar trabalho. Além disso, voltou a elogiar o Japão de Zico. ''O grande feito do Zico foi fazer com que o Japão não tenha medo dos adversários, apenas respeito''.
Em relação ao fato de alguns jogadores terem ido a uma boate na noite de terça-feira, quando estavam de folga, o treinador esperar apenas que eles cumpram o horário de retorno à concentração. ''Não tenho nada para falar sobre o que fazem na folga. Nunca a seleção se preocupou com isso, desde que se comportem de forma conveniente. Basta que respeitem os horários''.
Parreira disse ainda que não pretende realizar treinos secretos porque todos já conhecem os possíveis segredos do Brasil. ''Os jogadores são conhecidos. A televisão sempre traz as partidas (de nossos jogadores). Não tem o que esconder. Mas, se houver a necessidade de escondermos algo, faremos estes treinos'', anunciou o treinador, em entrevista coletiva.
Cafu Capitão da seleção brasileira, o lateral-direito Cafu contou ontem que chorou junto com Edmílson quando foi acertado o corte do volante do Barcelona. ''Eu estava com ele. A gente tentava falar sobre outros assuntos, mas era impossível'', afirmou.
Cafu contou que Edmílson o procurou momentos antes da reunião com a comissão técnica que definiria seu destino. ''Prefiro não narrar o sofrimento dele. Ele queria mais do que nunca estar aqui'', disse Cafu.
Segundo o capitão brasileiro, no momento da decisão Edmílson começou a chorar. Emocionado, Cafu também chorou e abraçou o companheiro. ''Corte é sempre triste. Principalmente o Edmílson, que passou por uma temporada muito difícil'', afirmou fazendo referência ao longo trabalho de recuperação do volante do Barcelona.
Edmilson chegou ontem pela manhã em São Paulo e foi recebiudo por familiares e amigos. Ele pretende ser submetido a uma cirurgia na próxima semana, a fim de se preparar para a próxima temporada européia, que começa logo após a Copa.

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