Parreira garante que África dará inferno a rivais
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
José Geraldo Couto<br>Folhapress 
Johannesburgo - Poucas vezes uma abertura de Copa teve um significado histórico tão vívido. O pontapé inicial do primeiro Mundial em solo africano é um momento simbólico especial na saga de um país e de um continente em busca da superação de um doloroso histórico de guerras, fome e iniquidade.
A esperada presença do mítico líder Nelson Mandela, bem como os ecos da vibração das dezenas de milhares de pessoas que foram às ruas de Johannesburgo quarta-feira para saudar os Bafana Bafana, deve eletrizar a atmosfera do Soccer City Stadium hoje.
O técnico da seleção local, Carlos Alberto Parreira, tratou de elevar a temperatura do confronto ao dizer ontem, na entrevista coletiva concedida ao fim do treino no Soccer City: ''Agora é guerra''.
Em outro momento, prometeu que sua equipe ''dará o inferno aos adversários''.
Falando aos jornalistas pouco depois, o treinador do México, Javier Aguirre, tentou baixar a bola: ''Essas são metáforas que a gente usa, mas somos equilibrados. Ademais, há um árbitro e uma bola entre nós''.
Se Parreira enfatizou a energia trazida à sua equipe pela população sul-africana, o técnico mexicano chegou a ser irônico: ''Tudo isso fica fora durante os 90 minutos. No fim, o que importa é a qualidade do futebol que se joga, não quem tem mais incentivo, mais apoio ou mais amigos'', declarou Aguirre.
Quando, na coletiva, um repórter brasileiro fez uma comparação entre o desfile dos jogadores sul-africanos em carro aberto e a bagunça que tomou conta da concentração brasileira em Weggis (Suíça) antes da última Copa, Parreira respondeu: ''Não fomos para a rua fazer parada, mesmo porque ainda não temos nada para comemorar''.
Segundo Parreira, a manifestação popular em Johannesburgo foi comparável somente à que aconteceu quando Mandela saiu da prisão, em 1990.
Questionado sobre o que Parreira trouxe de bom ao time sul-africano, o zagueiro e capitão Mokoena repetiu várias vezes a palavra ''experiência''. ''Tínhamos que obter a confiança, o apoio da população. O trabalho sério trouxe isso. Tudo tem a ver com a experiência''.
Parreira elogiou a seleção do México, que para ele é ''a mais ousada'' deste Mundial. ''Mas nós temos também a nossa cara. Não queremos jogar como o Brasil, mas aplicar os princípios do futebol brasileiro, de posse de bola e criatividade'', declarou.
Indagado sobre quais seriam suas últimas palavras aos atletas antes da estreia, o treinador respondeu: ''Enjoy the game'' (''Curtam o jogo''). Algo difícil, convenhamos, de se fazer numa guerra.
EM JOHANNESBURGO
África do Sul
Moneeb; Makoena, Khumalo, Twala e Ngongca; Letsholonyane, Dikacoi, Modise e Pienaar; Tshabalala e Mphela. Técnico: Carlos Alberto Parreira
México
Pérez; Aguilar, Osorio, Rodríguez e Salcido; Juárez, Márquez, Torrado e Giovani dos Santios; Vela e Hernández (Franco). Técnico: Javier Aguirre
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Estádio: Soccer City
Horário: 11 horas (de Brasília)


