Parreira está fora da seleção
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Claudio Nogueira<br> Agência O Globo 
Rio - Um ato falho do técnico Carlos Alberto Parreira, ontem à tarde, em entrevista num hotel da Barra, no Rio de Janeiro, pode ser a senha de que ele deverá deixar a seleção. Depois de ter tido que já tomou uma decisão, mas que precisaria se reunir com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para anunciá-la, ele se traiu, quando lhe perguntaram sobre renovação. ''Quando assumi, em janeiro de 2003, me perguntaram se eu iria renovar a seleção, e ao longo de três anos e meio, a renovação se processou. Quem pegar este barco ou continuar, deverá começar a processar a renovação para 2010'', afirmou Parreira.
Exceto por esse ato falho, Parreira repetiu já ter tomado a decisão, mas que precisa conversar com Teixeira, seu grande amigo. É outro sinal de que poderá sair, porque se fosse permanecer, não teria de conversar com o dirigente da CBF, pois é funcionário com carteira assinada, e não contratado. Curiosamente, no local da entrevista não havia publicidade da CBF e de seus patrocinadores como de costume.
Sobre os xingamentos nos aeroportos do Rio e de São Paulo, Parreira opinou que torcedores são influenciados pela imprensa. Acredita que na Argentina, onde a seleção foi bem recebida, as críticas talvez não tenham sido duras: ''Aqui, a cultura é ganhar e mais nada. Foram três anos e meio de aprovação total.''
Ele recebeu mensagens lamentando a derrota: ''Estamos tristes. Ninguém queria ser campeão do mundo mais do que eu, nem imprensa, nem torcida. O Brasil foi às finais de 1994, 1998 e 2002. Lamentavelmente perdemos, mas vamos ressurgir''.
Parreira negou divisão no grupo. ''O ambiente era muito bom. Não vamos buscar bodes expiatórios'', disse, acrescentando que as buscas de recordes pessoais de Cafu e Ronaldo não atrapalharam. ''Eles jogaram quatro Copas e venceram duas. É uma geração que cumpriu um ciclo vitorioso'', lembrou.
Para Parreira, a seleção não foi apática nem subestimou a França, que atuou muito bem. Ele defendeu Roberto Carlos, acusado de ajeitar as meias enquanto Henry fazia o gol. ''Se ninguém errasse, os jogos seriam todos 0 a 0. Foi uma falha, que resultou no gol''.
Frustrado por não ir à final, Parreira observou que o grupo foi para a Copa sob o peso de um favoritismo jamais visto, algo que tentou dividir com Argentina, Alemanha e Itália.
Na entrevista, o coordenador técnico Zagallo, 75 anos, se irritou quando perguntaram a Parreira se este aceitaria ser coordenador-técnico com outro treinador: ''Continuo pensando na verde-e-amarelinha, a não ser que não me queiram. Enquanto tiver vontade, disposição e alegria, continuarei, dependendo de Ricardo Teixeira''.
A seleção volta a jogar no dia 16 de agosto, em amistoso com a Noruega, em Oslo.


