Há quatro anos, ele foi o último técnico a ir embora da Copa dos Estados Unidos, como campeão do mundo. Agora, em apenas duas rodadas, é o primeiro a ser eliminado. ‘‘A diferença é que, em 94, eu era técnico da Seleção Brasileira; e em 98, eu sou da Arábia Saudita’’, define Carlos Alberto Parreira, numa frase, o fato de já estar fora do Mundial da França.
‘‘Não adianta ficar procurando culpados, o juiz prejudicou, o goleiro falhou, o time se abateu, mas isso tudo está inserido num contexto maior, que é o futebol’’, analisa. ‘‘Estamos chateados, pois ninguém gosta de perder, mas, a partir do momento em que aceitamos dirigir a seleção da Arábia Saudita, sabíamos do risco da eliminação prematura.’’
Para Parreira, a derrota no primeiro jogo, para a Dinamarca, pesou, pois não seria contra a França, dona da casa, que o time conseguiria se impor. ‘‘A derrota para a Dinamarca abateu os jogadores, eles sentiram um impacto muito grande, mas a vida segue, missão cumprida, vamos terminar nossa participação na Copa com dignidade.’’
Ele continuará na França até o a final do Mundial. ‘‘Sou convidado da Adidas, sou membro da Fifa, vou pegar minha credencial e pretendo ver alguns jogos.’’ Ele quer ver duas seleções de perto, a Holanda e o Brasil. ‘‘Pelo que estou vendo, pelos cruzamentos previstos, o Brasil deverá ter uma passagem tranquila até a semifinal.’’
Parreira acha que a seleção que deixou para Zagallo está crescendo no momento certo. ‘‘Antes da estréia, eu falei com o Zagallo pessoalmente e com o Dunga pelo telefone, e eles me passaram muita confiança, disseram que as coisas não estavam tão ruins quanto estavam dizendo, a união ainda não era a mesma de 94, mas chegaria ao mesmo nível aos poucos; e parece que é isso que está acontecendo.’’

mockup