Rio - Rica história na seleção não é um privilégio de Zagallo. Carlos Alberto Parreira se orgulha disso também. Participou de quatro Copas pelo País e ganhou duas - uma como treinador, em 1994, e outra como preparador físico, em 1970. É muito grato por tudo que viveu pela equipe nacional. ''A seleção só me enriqueceu, em todos os sentidos. Você é visto com outro status, com mais respeito. Ainda mais quando se tem sucesso'', disse, para logo em seguida emendar: ''Eu sobrevivi''.
Os cabelos brancos chegaram. Mas ele se apressa em dizer que não foi ''culpa'' da seleção. ''É a idade mesmo (tem 67 anos). Não tenho do que reclamar''. Até o fim do ano, Parreira só quer descansar e curtir a família. Sair do País para trabalhar nem pensar. Já considera sua missão cumprida ao dirigir Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e África do Sul em Copas. ''O Michael Jordan (astro aposentado do basquete americano) adora dizer que, no caminho do sucesso, não há atalhos. Concordo plenamente. Tudo tem um preço. No caso de ser treinador da seleção, me afastei dos amigos e da família. Não tem jeito''.
Envelhece? Telê Santana, que dirigiu o time nos Mundiais de 1982 e 1986, costumava afirmar que treinar a seleção envelhece. Há quem discorde. ''Nunca me perturbei, fiquei sem dormir. Se não estivesse preparado para o cargo, não aceitaria. Se fui, era porque confiava em mim'', comentou Evaristo de Macedo, treinador da seleção em 1985.
Carlos Alberto Silva, por outro lado, assina embaixo do que declarou Telê. ''Envelhece muito mais rápido comandar a equipe nacional. Tem de vencer sempre. A pressão é inerente ao cargo'', justificou o treinador da seleção entre 1987 e 1988. ''Fiquei muitas noites sem dormir. A preocupação redobra. Não é mole''. Mas (quase) todos querem. (B.L. e L.M./A.E.)

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