Parreira diz que renovação da seleção já começou
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, aproveitou o desembarque ontem da delegação no Aeroporto Internacional Tom Jobim para veladamente mandar um recado aos descontentes com o seu trabalho. O treinador disse não ter ficado surpreso com as últimas três apresentações da equipe e ainda lembrou que a renovação ''cobrada'' por muitos já começou.
''Não estou surpreso. Acho que na hora certa o time está se encontrando e mostrando personalidade. Isso não aconteceria em um ou dois meses'', afirmou Parreira, que amanhã volta a reunir o grupo, desta vez na Granja Comary, em Teresópolis, para os treinos antes dos confrontos contra a Argentina, quarta-feira, e Chile, dia 6 de junho, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
Ao assumir em janeiro de 2003, Parreira relutou em mudar radicalmente o time que havia conquistado o pentacampeonato. Lentamente, promoveu modificações para atender a seu estilo tático, desprezando a formação 3-5-2 em favor da 4-4-2. Dos atuais campeões permanecem os laterais Cafu e Roberto Carlos, os zagueiros Roque Júnior, Lúcio e Edmílson, além dos atacantes Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.
Até o momento, as maiores mudanças foram no meio-de-campo, com as entradas de Kaká, Juninho Pernambucano e Zé Roberto, nos lugares de Rivaldo, Gilberto Silva e Kléberson. Edmílson, antes zagueiro, passou a exercer a função de volante. No gol saiu Marcos e entrou Dida. E, pelas declarações do treinador, a próxima alteração deverá ocorrer na zaga, com a escalação de Luisão na vaga de Lúcio.
Parreira também se mostrou atento às performances de Mancini, Edu e Júlio Baptista, que o encantou com o gol de bicicleta, o quarto da goleada por 5 a 2 sobre a Catalunha.
E é com o objetivo de aproveitar a boa fase que Parreira pediu à torcida mineira ''paciência'' com a equipe na partida contra a Argentina. ''Jogar em casa é sempre bom, desde que a torcida entenda que o gol pode sair no início, no meio ou no final'', disse.
Já o atacante Ronaldo, do Real Madrid, destacou que os argentinos são os principais rivais do Brasil e, por isso, a seleção precisa aproveitar a vantagem por atuar em casa. O jogador negou que as críticas recebidas, principalmente, sobre sua forma-física o tenha incomodado. Ronaldo recordou que está voltando de uma contusão muscular e, sob este aspecto, suas atuações foram boas.
E o coordenador-técnico Zagallo não desperdiçou a oportunidade de ''alfinetar'' os argentinos. Esbanjando bom-humor, provocou: ''É um jogo equilibrado, mas estou sempre dizendo que sou mais a amarelinha. Se alguém quer vingança, isso é com eles, porque temos cinco títulos de campeão mundial e eles apenas dois''.


