Paris - Carlos Alberto Parreira está diante de um dilema: ao mesmo tempo que explicou, para quem quisesse ouvir, que a Copa das Confederações seria o momento de dar chance a vários novos jogadores na seleção, já pensa em manter o mesmo time que começou a partida contra a Nigéria para a estréia na competição, dia 19, contra Camarões. O técnico está tão satisfeito, e sobretudo aliviado, com os 3 a 0 sobre os nigerianos foi sua primeira vitória desde a volta à seleção , que pretende dar um voto de confiança aos atletas que participaram daquele jogo.
Ficou até curioso observar o treinador brasileiro nos treinamentos. Ontem, por exemplo, no Camp de Lages periferia de Paris, onde a equipe do Paris Saint-Germain costuma realizar suas atividades , entre uma e outra orientação aos jogadores, Parreira parava, calava-se e cochichava, ora com Zagallo, ora com algum atleta. É claro que tal atitude sempre existiu. Porém, desta vez, está mais frequente. Não consegue disfarçar que, embora a cinco dias do primeiro jogo, já definiu o que quer. Busca agora o apoio e a concordância de pessoas próximas.
E quando precisa falar sobre o assunto, o treinador da seleção tenta disfarçar. Inteligente, responde às perguntas de forma evasiva, fugindo do ponto central. Restam-lhe os chavões. Por exemplo: Parreira, você vai manter no primeiro jogo na Copa das Confederações o mesmo time que venceu a Nigéria? Resposta: ''Sabe como é. O futebol brasileiro está indo muito bem, tanto a seleção principal, como a Sub-23, Sub-20. Nós temos grandes jogadores. Vou pensar no time durante a semana. Isso (a definição) não é o mais importante'', despistou.
A confiança na ''garotada'' é tanta que Parreira aproveitou para mandar um recado, discreto é verdade, para as grandes estrelas que não estão na França, casos de Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos. ''Vamos usar a Copa das Confederações para definir o grupo que vai começar a disputa das Eliminatórias. Eu digo começar, porque sempre aquele que termina é diferente'', explicou.

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