Os resultados negativos dos grandes clubes no Módulo Azul da Copa João Havelange provocaram a queda de três técnicos no final de semana. Depois das demissões de Carlinhos, do Flamengo, e de Giba, no Santos, ontem foi a vez de Carlos Alberto Parreira pedir a demissão no Atlético Mineiro. Dos três times, apenas o Flamengo já encontrou um substituto para Carlinhos: Zagallo, que estava parado há quase um ano, estréia hoje no rubro-negro carioca (leia matéria nesta página). Parreira é um dos cotados a treinar o Santos.
Parreira pediu demissão ontem à tarde à diretoria do Atlético-MG, alegando a existência de um ‘‘clima pesado’’, com ‘‘pressão e excesso de cobranças’’ da torcida e até de conselheiros do clube, opositores ao atual presidente Nélio Brant. ‘‘É um ano de eleição no Atlético, o clima está pesado e pensei que era o momento apropriado para sair, para que possa vir outro técnico e desenvolver o trabalho com maior tranquilidade’’, disse.
O treinador, tetracampeão do mundo em 1994 com a Seleção Brasileira, completou ontem três meses e dez dias no clube mineiro. Parreira, que chegou a ser cotado para o voltar ao comando da seleção, com a demissão de Wanderley Luxemburgo, realizava uma campanha irregular no Alvinegro.
Apesar de colocar o time na liderança do Grupo E da Mercosul, Parreira não conseguia bons resultados na Copa João Havelange. A situação se complicou no início de outubro, quando o Atlético foi goleado por 4 a 0 pelo Vasco, pela competição nacional, em São Januário. Nos dois últimos jogos realizados no Mineirão – 2 a 1 sobre o Coritiba e 2 a 2 com o Grêmio – a permanência do técnico ficou difícil.
O diretor de futebol do Atlético, Eduardo Maluf, informou, porém, que Parreira não pediu desligamento, mas foi dispensado. ‘‘Ele nos perguntou se havia a possibilidade de ficar até dezembro, mesmo perdendo mais uma ou duas vezes, e chegamos juntos à conclusão que o momento era adequado para ele sair’’, afirmou.
Parreira garantiu que sua decisão não se baseou na situação financeira do Atlético, que chegou a ter salários atrasados por três meses, e a não concretização de promessas que lhe foram feitas pela diretoria – o acerto de uma parceria para o clube e a contração de reforços, por exemplo. Mas reconheceu que isso teve relação com a decisão.
O técnico afirmou ainda que, apesar das especulações, não recebeu convite do Santos para ocupar a vaga de Giba, demitido no fim de semana. ‘‘Não houve nada disso’’, garantiu Parreira. Entre os nomes cotados para comandar o Galo estão Paulo César Carpegiani e Oswaldo Alvarez.
O Santos aguarda o retorno de Miami (EUA) do presidente Marcelo Teixeira para anunciar amanhã ou quinta-feira o nome do treinador que substituirá Giba, demitido no último final de semana após a derrota por 3 a 1 para o Goiás. A escolha deverá recair sobre um de três nomes, dos quais o mais provável é Carlos Alberto Parreira. Os outros dois são Wanderley Luxemburgo, ex-técnico do próprio Santos e da Seleção Brasileira, e Paulo César Carpegiani, ex-São Paulo e seleção do Paraguai.
Paulo César Carpegiani foi procurado no domingo, discutiu salários e prazo de um eventual contrato, mas não acertou porque estuda proposta de outro clube e porque as preferências dos dirigentes santistas recaem sobre Parreira e Luxemburgo.
O ex-treinador da seleção, que dirigiu o Santos em 1997, tem a simpatia de uma parcela da diretoria, mas a probabilidade de Luxemburgo aceitar é menor, porque ele ainda está às voltas com seus problemas pessoais com a Receita Federal, que poderão levá-lo a ser convocado para depor na CPI do Futebol.