Parreira decreta fim da 'era' Felipão
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quinta-feira, 09 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio - O estilo Felipão foi sepultado ontem na Seleção Brasileira com a apresentação de seu novo técnico, Carlos Alberto Parreira, de 59 anos, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca. Cordial, simpático e atencioso, o treinador descartou a possibilidade de adotar o esquema tático com três zagueiros, usado pelo técnico Luiz Felipe Scolari na Copa do Mundo de 2002.
''A seleção tem de ser marcada pela versatilidade e qualidade dos jogadores brasileiros'', disse Parreira, deixando transparecer seu descontentamento com a formação tática 3-5-2. ''A equipe tem de ser equilibrada. Não podemos colocar os jogadores brasileiros em uma camisa de força.''
Parreira também demonstrou sua preferência por dois zagueiros, o que lhe dará a oportunidade para escalar mais um atleta de armação no meio-de-campo. Ele destacou essas características como sendo as do verdadeiro futebol brasileiro. Tanto Parreira quanto Zagallo, que será seu coordenador-técnico, reeditando a dupla responsável pela conquista do título de tetracampeão mundial de 1994, nos Estados Unidos, frisaram o desafio de fazer a seleção ''jogar sem a posse da bola''. O time campeão da Copa de 2002 servirá como base da nova equipe neste início de trabalho. Para o treinador, isso facilitará a adequação de sua filosofia tática e técnica.
Sobre os novos valores do futebol brasileiro, Parreira salientou que fará um trabalho para mesclá-los aos jogadores mais experientes. Citou os corintianos Kléber e Gil, além dos santistas Diego e Robinho, como representantes dessa geração. A Robinho fez uma deferência especial: ''É um atleta excepcional, que já provou ter condições de estar na seleção principal sem a necessidade de passar pelas divisões de base.''
O entusiasmo demonstrado por Parreira com a nova geração do futebol brasileiro, não se estendeu ao artilheiro Romário, de 36 anos, pivô de vários distúrbios na seleção nos últimos anos. O treinador praticamente descartou qualquer possibilidade de convocá-lo: ''Temos de considerar que ele estará com 40 anos na próxima copa. É já época de pensarmos em outros jogadores.''
O novo técnico da seleção ainda lamentou seu pedido de demissão do Corinthians. Explicou que não podia recusar o convite da CBF e hoje à tarde estará em São Paulo para se despedir do clube.
A reestréia de Parreira na seleção ocorrerá no dia 12 de fevereiro em um amistoso contra a China. A convocação para esse confronto foi prevista para a última semana de janeiro. E o segundo desafio é contra Portugal, comandado por Felipão, no dia 29 de março. À frente da seleção brasileira, em suas duas passagens como treinador (1983 e 1991 até 1994) Parreira atuou em 61 jogos, obtendo 33 vitórias, 21 empates e sete derrotas. O time marcou 119 gols e sofreu 46.
''Ser técnico da seleção é um parto e estamos fazendo a gestação de um filho que não sabemos se nascerá defeituoso ou não'', comparou Parreira. ''A gente espera que possa nascer de olhos azuis e com cinco quilos.''


