Teresópolis - Robinho fez, ontem, o técnico Carlos Alberto Parreira quebrar um protocolo que ele carrega talvez desde a preparação da Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 94: divulgar a escalação do time no primeiro dia de trabalho em Teresópolis. O novo craque do Real Madrid foi confirmado no lugar de Ronaldinho Gaúcho, suspenso, na partida contra o Chile, no domingo, pelas Eliminatórias-2006. O torcedor de Brasília pode então esperar pedaladas no Mané Garrincha.
Havia uma dúvida entre Robinho e Ricardinho, mas ela foi desfeita na primeira entrevista que o treinador da seleção deu na Granja Comary. E a decisão nada teve a ver com os 20 minutos mágicos do atacante em sua estréia no Real Madrid, quando deu chapéu, dribles desconcertantes e passe para um gol. ''Acho que isso não me influenciou. Optei por Robinho depois que fiquei sabendo que o Chile vem para o Brasil na retranca, com três volantes, e disposto a levar um ponto. Vou então precisar de um jogador capaz de desarranjar essa retranca'', disse o técnico.
Isso significa que Robinho terá liberdade para fazer sua graça, desmoronar a marcação e o ferrolho chileno com a mesma categoria que já encantou os espanhóis.
O Brasil jogará com quatro atletas que chegam fácil ao gol: Kaká, Robinho, Ronaldo e Adriano. ''Eu estou pronto para entrar e jogar bom futebol. Sei que ainda estou cavando meu espaço na seleção. Mas o importante é estar aqui no grupo'', comentou Robinho, que cometeu uma gafe, ontem, ao se apresentar na seleção brasileira sem suas chuteiras, que ficaram em Madrid.
Acostumado a ter sempre alguém para resolver isso por ele, o atacante não se deu conta de ter embarcado para o Rio sem sua ferramenta de trabalho. Foi preciso que representantes da Nike, com quem tem contrato de patrocínio, arranjassem um par novo na cor azul.
A escolha de Parreira por Robinho, e por um time mais ofensivo, não deixa dúvidas de que o treinador pensa na classificação antecipada, há três rodadas do fim das Eliminatórias. Ele não quer passar o sufoco das classificações anteriores, como em 93, quando Romário garantiu o Brasil na última rodada frente ao Uruguai. Ou em 2001, quando o time teve de superar a Venezuela também na rodada de encerramento. Ele quer a vitória. ''Sabemos que podemos garantir a vaga até sem somar pontos nas três últimas rodadas, dependendo dos resultados. Mas queremos nos garantir com antecedência'', comentou.
Parreira sabe também que a partida contra a Bolívia, em La Paz, a próxima depois do Chile, é de resultado incerto pela altitude de 3.600m da cidade boliviana. O Brasil já perdeu jogos em La Paz e ele não quer correr esse risco, o de deixar a vaga para o jogo com a Venezuela. ''Não é hora de tirar nada da cartola. Temos de fazer o simples e nos garantir na Copa'', repetiu.
Ricardinho, que perdeu sua vaga, disse o tempo todo que Parreira faria o melhor para o Brasil diante do Chile. E que jamais houve rivalidade entre ele e Robinho.

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